Produtos para a saúde piratas colocam pacientes em risco e reforçam a necessidade de fortalecer o combate ao mercado ilegal

Reportagem exibida pelo Bom Dia Brasil evidencia avanço da comercialização de dispositivos médicos irregulares; ABIMO defende ampliação da estrutura da Anvisa e reforça atuação conjunta com a Agência e o CNCP para proteger a população

A comercialização de dispositivos para a saúde piratas ou irregulares voltou ao centro do debate nacional nesta quinta-feira, 13 de agosto, após reportagem exibida pelo Bom Dia Brasil, da TV Globo, revelar o crescimento desse mercado ilegal, impulsionado principalmente pela expansão das vendas pela internet e dos marketplaces (assista AQUI). O cenário preocupa autoridades, fabricantes e profissionais da saúde, já que equipamentos sem registro e sem certificação podem comprometer diagnósticos, tratamentos e colocar vidas em risco.

A reportagem mostrou que, no primeiro semestre de 2026, foram comercializados cerca de 506 mil medidores de pressão ilegais no Brasil, contra 446 mil aparelhos regularizados. Em outras palavras, foram vendidos 13,5% mais equipamentos irregulares do que produtos em conformidade com a legislação. Na reportagem, o diretor do Inmetro, Marcelo Moraes, explicou que esse crescimento acompanha a popularização das compras on-line, tornando o desafio da fiscalização ainda maior.

Além da concorrência desleal, esse cenário representa um prejuízo para a indústria brasileira de dispositivos médicos, que investe continuamente para manter seus produtos em conformidade com as exigências regulatórias da Anvisa. Enquanto fabricantes comprometidos com a qualidade e a segurança dedicam recursos financeiros, tempo e equipes especializadas para atender à legislação, produtos ilegais chegam ao mercado sem cumprir qualquer requisito técnico ou sanitário.

Os riscos para a população são ainda mais preocupantes. Um medidor de pressão sem registro na Anvisa e sem a devida calibração, por exemplo, pode apresentar resultados incorretos, impedindo a identificação de um quadro de hipertensão e atrasando o atendimento médico. Em situações mais graves, esse erro pode contribuir para uma emergência hipertensiva, um acidente vascular cerebral (AVC) e até levar o paciente a óbito.

Além dos medidores de pressão, a reportagem também alertou para a comercialização irregular de termômetros, balanças, inaladores e nebulizadores, equipamentos que podem apresentar falhas de funcionamento e induzir pacientes e profissionais de saúde a decisões clínicas equivocadas. Esse problema também se estende a dispositivos médicos de maior complexidade, como implantes odontológicos e outros produtos utilizados em procedimentos assistenciais.

Combate à pirataria é prioridade para a ABIMO

O enfrentamento desse mercado ilegal faz parte da agenda da ABIMO há cerca de uma década. Ao longo desse período, a Associação mantém diálogo permanente com a Anvisa para fortalecer ações de fiscalização e aperfeiçoar o ambiente regulatório. Mais recentemente, esse trabalho passou a contar também com a atuação conjunta do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), ampliando a integração entre governo, órgãos de fiscalização e setor produtivo.

Essa articulação já gerou resultados concretos. Em 2024, a ABIMO criou um canal exclusivo para o recebimento de denúncias de práticas irregulares. As informações são analisadas pela Associação e encaminhadas ao CNCP para subsidiar investigações e ações de fiscalização. Como resultado desse trabalho, uma plataforma on-line que comercializava produtos odontológicos importados sem registro ou autorização da Anvisa foi retirada do ar em 2025.

Clique AQUI para ler a entrevista exclusiva com o diretor da Anvisa sobre as estratégias adotadas pela Agência no combate à pirataria de dispositivos médicos.

Fortalecer a Anvisa é proteger pacientes

Para o presidente da ABIMO, Jamir Dagir Jr., o crescimento da comercialização de produtos irregulares reforça a necessidade de ampliar a capacidade operacional da Anvisa para acompanhar um mercado que se transforma rapidamente, especialmente no ambiente digital.

“Temos um diálogo muito transparente e aberto com todas as diretorias da Anvisa, um relacionamento construído ao longo do tempo em que atuamos como colaboradores na construção de um ambiente de negócios sustentável para a indústria brasileira de dispositivos médicos e seguro para os pacientes. Combater dispositivos ilegais ou piratas tem sido nossa batalha diária. Estamos em contato permanente também com o CNCP e já conseguimos, por meio do nosso canal de denúncias, retirar do ar uma plataforma que comercializava produtos odontológicos sem registro. Mas sabemos que é necessário investir no corpo de trabalho da Anvisa para que a Agência tenha recursos humanos suficientes para enfrentar esse desafio, especialmente diante do crescimento das vendas pela internet”, diz.

Jamir também ressalta que a responsabilidade pela fiscalização não pode ser transferida ao consumidor.

“O paciente não possui conhecimento técnico para identificar se um dispositivo médico está regularizado ou não. Essa responsabilidade é do Estado, que precisa oferecer à Anvisa estrutura, pessoal e condições para exercer plenamente sua função de proteger a saúde da população”, complementa.

Para a ABIMO, fortalecer a Agência significa fortalecer todo o sistema regulatório brasileiro. Uma Anvisa estruturada, com capacidade técnica e operacional compatível com o crescimento do mercado digital, beneficia simultaneamente os pacientes, os profissionais de saúde e a indústria comprometida com a qualidade, a inovação e o cumprimento da legislação sanitária.

Publicado em 13/08/2026

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