Exportações de dispositivos médicos se aproximam dos níveis de 2025 e somam US$ 694 milhões no ano

Análise da ABIMO com base em dados do ComexStat/MDIC mostra melhora do desempenho ao longo de 2026; em agosto, vendas externas ficaram praticamente estáveis em relação ao mesmo mês do ano passado

As exportações brasileiras de dispositivos médicos vêm apresentando uma recuperação de desempenho ao longo de 2026. Depois de iniciarem o ano em patamares inferiores aos registrados em 2025, as vendas externas passaram a se aproximar dos resultados do ano anterior a partir de maio e chegaram a agosto praticamente estáveis na comparação anual.

No oitavo mês do ano, o Brasil exportou US$ 92,93 milhões em dispositivos médicos, frente a US$ 93,44 milhões em agosto de 2025, uma diferença de apenas 0,51%. Os números fazem parte de análise da ABIMO elaborada a partir dos dados do ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O comportamento dos últimos meses ajuda a reduzir gradualmente a diferença acumulada no início do ano. Entre janeiro e agosto, as exportações alcançaram US$ 694,30 milhões, resultado 8,85% inferior aos US$ 761,69 milhões registrados no mesmo período de 2025.

A análise mês a mês mostra, porém, que boa parte dessa retração foi construída no começo do ano. No primeiro trimestre, as exportações de 2026 permaneceram abaixo das observadas no mesmo período de 2025. Após um crescimento expressivo em março, houve uma queda mais acentuada em abril. Em maio, o cenário se inverteu e, desde então, os resultados mensais passaram a se manter em patamares mais próximos aos do ano passado.

“Esse movimento das exportações ao longo do ano reforça a importância de a indústria brasileira continuar avançando em sua estratégia de internacionalização. Para isso, vale a pena observar oportunidades que surgem no âmbito externo como, por exemplo, o mercado africano”, comenta Larissa Gomes, gerente de Projetos e Marketing da ABIMO.

A executiva se refere, entre outras oportunidades, ao fato de que, desde o início de setembro, uma lista de dispositivos médicos brasileiros passou a contar com tarifa de importação zerada no comércio com o Egito, em razão do Acordo de Livre Comércio (ALC) entre Mercosul e Egito.

Laboratório e Reabilitação avançam em agosto

Entre as quatro verticais acompanhadas pela ABIMO, Laboratório apresentou o maior crescimento das exportações em agosto, com avanço de 18,89% na comparação com o mesmo mês de 2025. As vendas externas passaram de US$ 10,40 milhões para US$ 12,37 milhões. Reabilitação também apresentou resultado positivo, com crescimento de 9,39%, alcançando US$ 12,65 milhões.

A vertical Médico-hospitalar registrou US$ 55,23 milhões em exportações, retração de 5,15% frente aos US$ 58,23 milhões de agosto de 2025. Mesmo com a variação negativa no mês, o segmento permanece, com ampla diferença, como o mais representativo das exportações brasileiras de dispositivos médicos, mantendo uma liderança histórica entre as categorias comercializadas pelo setor no exterior.

Odontologia, por sua vez, exportou US$ 12,71 milhões, resultado 3,99% inferior ao registrado em agosto do ano passado.

Estados Unidos permanecem como principal destino

Os Estados Unidos seguem na liderança entre os mercados compradores de dispositivos médicos brasileiros, com US$ 24,55 milhões exportados em agosto. Na sequência aparecem Argentina, com US$ 8,50 milhões; México, com US$ 6,73 milhões; Colômbia, com US$ 4,68 milhões; e Chile, com US$ 4,51 milhões.

Somados, os cinco destinos movimentaram aproximadamente US$ 49 milhões e concentraram 52,71% das exportações do setor no mês.

A presença de países das Américas entre os principais compradores reforça a relevância desses mercados para a indústria brasileira, ao mesmo tempo em que a internacionalização e a diversificação de destinos permanecem estratégicas para ampliar a escala das exportações e reduzir a exposição das empresas às oscilações de mercados específicos.

Entre os produtos, os categutes esterilizados e outros materiais para suturas cirúrgicas lideraram as exportações em agosto. Na sequência ficaram artigos e aparelhos ortopédicos; sacos, bolsas e cartuchos de polímeros de etileno; artigos semelhantes a caixas de plástico; e válvulas cardíacas.

Crescimento das importações acende sinal de atenção

Se do lado das exportações, os últimos meses mostram uma aproximação em relação aos resultados de 2025, o comportamento das importações segue uma trajetória diferente e merece atenção.

Entre janeiro e agosto, o Brasil importou US$ 8,43 bilhões em dispositivos médicos, aumento de 16,51% sobre os US$ 7,24 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano passado. Especificamente em agosto, as compras externas tiveram um aumento relevante e chegaram a US$ 1,28 bilhão, avanço de 43,66% na comparação com os US$ 889,73 milhões registrados em agosto de 2025.

Todas as verticais apresentaram aumento. O destaque foi Laboratório, que, além de concentrar o maior volume, registrou a maior variação: 66,44%, alcançando US$ 726,52 milhões. Reabilitação cresceu 33,81%, para US$ 83,69 milhões; Médico-hospitalar avançou 21,19%, chegando a US$ 440,90 milhões; e Odontologia teve alta de 0,70%, com US$ 27,05 milhões.

A aceleração é particularmente perceptível a partir de junho. Enquanto em 2025 as importações mantiveram uma trajetória mais linear ao longo dos meses, em 2026 houve uma inflexão, com crescimento expressivo em junho e manutenção de uma curva ascendente em julho e agosto.

“Esse resultado reacende um sinal de atenção para o setor e reforça a necessidade de compreendermos quais fatores internos e externos estão contribuindo para o aumento das compras internacionais, assim como seus possíveis impactos sobre a competitividade e a capacidade produtiva da indústria instalada no país”, comenta Larissa.

O cenário também reforça a importância de ampliar o conhecimento sobre a #saudefeitanobrasil e sobre a capacidade produtiva da indústria nacional. O Brasil conta com fabricantes preparados para atender a uma parcela significativa das demandas internas por dispositivos médicos, com tecnologia, qualidade e capacidade para fornecer inclusive em grande escala. “Fortalecer essa produção e ampliar sua participação nas compras realizadas no país são caminhos importantes para uma cadeia de saúde mais competitiva e menos dependente do mercado externo”, complementa a executiva.

Uma conquista recente de uma associada à ABIMO ajuda a dimensionar esse potencial, inclusive nas compras públicas, considerando que o governo é o maior comprador de dispositivos médicos do país. A brasileira Phelcom Technologies venceu uma licitação e forneceu 5.001 retinógrafos portáteis para 2.774 municípios brasileiros, praticamente metade das cidades do país. Para atender ao contrato, a empresa ampliou significativamente sua capacidade de produção, demonstrando que a indústria nacional consegue responder a demandas de grande escala e incorporar tecnologia brasileira à rede pública de saúde. Clique AQUI para ler a matéria sobre a Phelcom Technologies e conhecer esse case da #saudefeitanobrasil.

O exemplo também mostra às empresas brasileiras a importância de olhar para o mercado público como uma oportunidade de negócios. Participar de licitações, acompanhar as demandas do sistema de saúde e se preparar para atender aos requisitos técnicos e de escala pode ampliar a presença da produção nacional justamente em um dos mercados mais relevantes para o setor.

Sobre as origens das importações, Estados Unidos, Alemanha, China, Suíça e Irlanda foram os principais fornecedores em agosto e, juntos, responderam por 61,38% do total.

Entre os produtos importados, os produtos imunológicos apresentados em doses ou acondicionados para venda a retalho lideraram, seguidos por reagentes de diagnóstico ou laboratório, instrumentos e aparelhos para medicina e cirurgia, sondas, cateteres e cânulas e vacinas, culturas de microrganismos e produtos semelhantes.

Clique AQUI e acesse o relatório completo da balança comercial de dispositivos médicos em agosto de 2026.

 

Publicado em 10/09/2026

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