
Segundo mês consecutivo de crescimento das vendas externas confirma reação da indústria brasileira, enquanto avanço de quase 30% das importações reforça desafios para a competitividade nacional
A balança comercial brasileira de dispositivos médicos encerrou o primeiro semestre de 2026 apresentando sinais mistos. Depois de um início de ano marcado por quedas nas exportações, a indústria registrou, pelo segundo mês consecutivo, crescimento das vendas externas na comparação com igual período de 2025. Em junho, as exportações avançaram 1,52%, confirmando a recuperação iniciada em maio, quando haviam crescido 7,09%.
Apesar da melhora observada nos dois últimos meses do semestre, o resultado acumulado entre janeiro e junho ainda permanece negativo. No período, as exportações brasileiras de dispositivos médicos recuaram 12,83% em relação ao primeiro semestre de 2025.
As importações seguiram trajetória oposta. Depois de duas quedas consecutivas registradas em abril e maio, voltaram a crescer de forma significativa em junho, com alta de 29,69% sobre o mesmo mês do ano anterior. No acumulado do semestre, o aumento foi de 9,80%, ampliando o déficit da balança comercial do setor.
Exportações mostram reação ao longo do semestre
Embora o acumulado ainda permaneça abaixo do registrado em 2025, a evolução mensal das exportações demonstra um movimento consistente de recuperação.
Assim como ocorreu no ano passado, o primeiro semestre de 2026 começou com volumes mais modestos de exportação, que cresceram gradualmente ao longo dos meses. A principal diferença entre os dois anos ocorreu em maio. Enquanto em 2025 houve retração nas vendas externas naquele mês, em 2026 foi justamente maio que marcou o início da recuperação das exportações brasileiras.
Em junho, mesmo com uma pequena redução em relação a maio, o desempenho permaneceu superior ao observado no mesmo mês do ano anterior. As exportações alcançaram US$ 91,7 milhões, superando o resultado de junho de 2025, quando haviam somado US$ 90,3 milhões.
Segundo Larissa Gomes, gerente de Projetos e Marketing da ABIMO, a sequência de dois meses positivos merece atenção.
“Os resultados de maio e junho mostram uma mudança importante no comportamento das exportações brasileiras de dispositivos médicos. Ainda é cedo para afirmar que essa recuperação se consolidará ao longo do restante do ano, mas o desempenho indica uma reação da indústria e reforça a importância de continuarmos ampliando a competitividade dos fabricantes nacionais nos mercados internacionais”, comenta.
No entanto, a executiva faz um importante alerta sobre o novo pacote tarifário anunciado pelos Estados Unidos, que passou a impor sobretaxas sobre produtos importados de cerca de 60 países, incluindo o Brasil.
“O novo tarifaço representa mais um desafio para a indústria brasileira de dispositivos médicos. No ano passado, quando o primeiro anúncio de sobretaxas acabou sendo posteriormente revertido, muitas empresas já iniciaram um movimento de diversificação de mercados e intensificaram sua atuação internacional. Esse aprendizado certamente prepara o setor para enfrentar o cenário atual. Ainda assim, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações brasileiras de dispositivos médicos e qualquer medida que dificulte esse acesso gera impactos relevantes para a competitividade da indústria nacional. Por isso, ampliar mercados continua sendo uma estratégia fundamental, embora seja um processo que exige tempo e investimentos”, destaca.
Reabilitação lidera crescimento das exportações
A análise por segmentos mostra comportamentos distintos entre as quatro verticais da indústria. No acumulado do primeiro semestre, a vertical de reabilitação apresentou o melhor desempenho, com crescimento de 27,23% nas exportações. Em seguida aparecem odontologia, com alta de 8,94%. Já médico-hospitalar registrou retração de 23,65%, enquanto laboratório apresentou queda de 11,64%.
Considerando apenas o mês de junho, o cenário permanece semelhante. Reabilitação cresceu 11,50%, odontologia avançou 10,60%, enquanto médico-hospitalar (-0,70%) e laboratório (-8,93%) registraram redução nas vendas externas.
Os Estados Unidos permaneceram como principal destino dos dispositivos médicos brasileiros no primeiro semestre, com US$ 123,5 milhões em compras. Na sequência aparecem Argentina, México, Colômbia e Chile. Juntos, esses cinco mercados responderam por aproximadamente 51,5% das exportações brasileiras do setor.
Entre os produtos mais exportados destacam-se artigos e aparelhos ortopédicos, sacos, bolsas e cartuchos de polímeros de etileno, categutes esterilizados para suturas cirúrgicas, pensos adesivos e instrumentos para odontologia.
Importações voltam a acelerar
Se as exportações mostraram sinais de recuperação, as importações encerraram o semestre em sentido contrário. Após dois meses consecutivos de retração, abril e maio, as compras externas cresceram 29,69% em junho, impulsionadas principalmente pelos segmentos de reabilitação, que avançou 47,29%, laboratório (+36,61) e odontologia (+32,02%). Médico-hospitalar teve um superávit menor, mas ainda assim representativo (+17,74%).
No acumulado do semestre, todas as verticais registraram crescimento nas importações, com exceção da odontologia (-7,96%). Laboratório apresentou alta de 13,03%, reabilitação cresceu 10,83% e médico-hospitalar avançou 6,79%.
Os principais fornecedores de dispositivos médicos ao Brasil entre janeiro e junho foram Estados Unidos, Alemanha, China, Suíça e Irlanda, responsáveis por aproximadamente 63,8% das importações do setor.
Entre os produtos mais importados continuam predominando itens de elevada complexidade tecnológica, como produtos imunológicos, reagentes para diagnóstico laboratorial, sondas, cateteres e cânulas, além de instrumentos e aparelhos utilizados em medicina, cirurgia, análises e medições.
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Publicado em 06/08/2026