Exportações de dispositivos médicos avançam em julho pelo terceiro mês consecutivo

Vendas externas cresceram 6,85% em relação a julho de 2025; importações também aumentaram, impulsionadas principalmente pelos segmentos de laboratório e reabilitação

A balança comercial brasileira de dispositivos médicos iniciou o segundo semestre mantendo o ritmo de recuperação observado nos últimos meses. Em julho de 2026, as exportações do setor cresceram 6,85% em comparação com o mesmo mês do ano passado, marcando o terceiro mês consecutivo de alta nas vendas externas (+7,09% em maio e +1,51% em junho). As importações também avançaram no período, registrando crescimento de 29,24%.

O resultado de julho reforça a trajetória de recuperação das exportações observada desde maio. Após um início de ano marcado por retração nas vendas externas, a indústria brasileira voltou a superar, mês a mês, os resultados registrados em 2025. Ainda assim, no acumulado de janeiro a julho, o setor exportou US$ 601,3 milhões, volume 10,0% inferior ao do mesmo período do ano anterior. As importações, por sua vez, somaram US$ 7,16 bilhões, crescimento de 12,70% na mesma comparação.

Odontologia lidera crescimento das exportações

Três das quatro verticais analisadas apresentaram crescimento nas exportações em julho. O melhor desempenho foi registrado pela odontologia, com alta de 11,78%, seguida pelos segmentos de laboratório, que cresceu 8,38%, e médico-hospitalar, com avanço de 7,46%. A única retração ocorreu na vertical de reabilitação, cujas exportações recuaram 1,85% em relação a julho de 2025.

Os Estados Unidos permaneceram como principal destino dos dispositivos médicos brasileiros, com US$ 22,17 milhões em compras. Na sequência aparecem México, Argentina, Suíça e Colômbia. Juntos, esses cinco mercados responderam por US$ 51,2 milhões, o equivalente a cerca de 50% das exportações brasileiras no mês.

Entre os produtos mais exportados destacam-se artigos e aparelhos ortopédicos, sacos, bolsas e cartuchos de polímeros de etileno, categutes esterilizados para suturas cirúrgicas, instrumentos para odontologia e pensos adesivos, que juntos representaram aproximadamente 33% de todas as exportações do período.

Importações seguem em alta

Do lado das importações, o crescimento foi puxado principalmente pelos segmentos de laboratório, que registrou alta de 62,35%, e reabilitação, com crescimento de 44,42%. Já as compras externas de produtos para odontologia recuaram 33,21%, enquanto a vertical médico-hospitalar apresentou leve queda de 2,27%.

A Alemanha liderou o fornecimento de dispositivos médicos ao Brasil em julho, seguida por Estados Unidos, China, Irlanda e Suíça. Os cinco países concentraram aproximadamente 64% de todas as importações realizadas pelo setor no mês.

Os produtos mais importados continuam concentrados em itens de maior complexidade tecnológica, como produtos imunológicos, reagentes para diagnóstico e laboratório, sondas, cateteres e cânulas, instrumentos utilizados em medicina e cirurgia e vacinas e culturas de microrganismos, que, juntos, representaram cerca de 54% das importações brasileiras em julho.

Recuperação das exportações ainda convive com déficit comercial elevado

Embora o acumulado do ano ainda apresente retração nas exportações, a evolução mensal indica uma mudança de tendência. Após registrar desempenho inferior ao de 2025 durante os primeiros meses do ano, as vendas externas passaram a superar os resultados do ano anterior a partir de maio, movimento que foi mantido em junho e julho.

Nas importações, o comportamento foi mais oscilante. Depois de um primeiro trimestre acima dos níveis de 2025 e de uma breve desaceleração em abril e maio, as compras externas voltaram a acelerar no início do segundo semestre, ampliando novamente o déficit da balança comercial do setor.

Para Larissa Gomes, gerente de Projetos e Marketing da ABIMO, a recuperação das exportações é um sinal positivo, mas o cenário internacional continua exigindo atenção das empresas.

“O crescimento das exportações pelo terceiro mês consecutivo demonstra que a indústria brasileira vem recuperando competitividade no mercado internacional. Ao mesmo tempo, o aumento das importações e os desafios do comércio global mostram que ainda há um longo caminho para reduzir o déficit comercial do setor”, comenta.

Nesse contexto, iniciativas como o Plano de Diversificação de Exportações da ApexBrasil, lançado recentemente para apoiar empresas brasileiras impactadas pelo novo tarifaço dos Estados Unidos, tornam-se ainda mais importantes para ampliar o acesso das empresas brasileiras a novos mercados e fortalecer sua presença internacional.

Entre as ações previstas no plano estão iniciativas de inteligência de mercado, qualificação empresarial, promoção comercial e ampliação do acesso a novos países, medidas que podem contribuir para fortalecer a competitividade da indústria brasileira de dispositivos médicos e ampliar sua inserção no comércio exterior.

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Publicado em 20/08/2026

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