
Congresso será realizado em setembro; Embrapii participa do evento com Rodada de Inovação Tecnológica
A inovação na indústria brasileira de dispositivos médicos depende de boas ideias, competência técnica e conhecimento científico. Mas existe um elemento que muitas vezes determina se uma tecnologia chegará ou não ao mercado: o acesso a recursos financeiros para pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Esse acesso estará disponível no CIMES – Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde, onde a Embrapii participa com a realização de uma Rodada de Inovação Tecnológica, atividade que reunirá fabricantes de dispositivos médicos e Unidades Embrapii (instituições científicas, tecnológicas e de inovação credenciadas) para encontros voltados à avaliação de demandas tecnológicas e à discussão de possíveis projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Na Embrapii, a área da saúde reúne atualmente 520 projetos de pesquisa, desenvolvimento, conduzidos por 453 empresas em parceria com 62 Unidades Embrapii. Os projetos somam mais de R$ 750 milhões em investimentos destinados ao desenvolvimento de tecnologias para o setor.
Segundo Igor Nazareth, diretor de Inovação e Relações Institucionais da Embrapii, esse desempenho demonstra que a inovação já faz parte da estratégia competitiva das empresas do setor.
“A saúde é um setor extremamente inovador, que apresenta demandas cada vez mais qualificadas e desafios tecnológicos cada vez mais complexos. O que vemos é uma indústria querendo colocar novos produtos no mercado, melhorar a qualidade de vida das pessoas e aumentar sua competitividade”, relata.
Só é inovação se chega ao mercado
Durante entrevista concedida à ABIMO, Nazareth abordou temas relacionados aos desafios da inovação na indústria de dispositivos médicos e ao desenvolvimento de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. “Inovação necessariamente é algo que gera nota fiscal, que gera produto no mercado”, diz.
A frase sintetiza a principal diferença do modelo adotado pela instituição. Em vez de desenvolver tecnologias para, posteriormente, buscar empresas interessadas, a Embrapii parte da necessidade apresentada pela própria indústria. “O projeto nasce da dor da empresa. Como ela participa do projeto aportando recursos financeiros, já existe o interesse em colocar aquela tecnologia no mercado”, explica o diretor.
Essa lógica reduz a distância entre pesquisa e aplicação prática, fazendo com que os investimentos em inovação tenham mais chances de se transformar em novos produtos, processos e soluções efetivamente disponíveis para a sociedade.
Inovação para a pequena empresa
Outro ponto destacado pelo executivo é que inovar deixou de ser privilégio das grandes empresas. Atualmente, 65% das empresas que desenvolvem projetos com a Embrapii são micro e pequenas, justamente um perfil bastante presente na indústria brasileira de dispositivos médicos.
Para incentivar essa participação, a instituição oferece condições diferenciadas de apoio financeiro, com recursos não reembolsáveis e mecanismos que reduzem significativamente a contrapartida financeira das empresas. Em alguns casos, por meio da parceria da Embrapii com o Sebrae, o investimento direto da empresa pode representar apenas uma pequena parcela do custo total do projeto.
Além do apoio com recursos não reembolsáveis, o modelo também reduz barreiras burocráticas. A empresa apresenta sua demanda diretamente a uma Unidade Embrapii, que elabora a proposta técnica e conduz o processo. Em média, o início do desenvolvimento de um projeto começa 42 dias após o primeiro contato com a unidade.
Aquecimento CIMES 2026
O Aquecimento CIMES 2026 traz conteúdos antecedendo o retorno do Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde, promovido pela ABIMO. O evento volta ao calendário da Associação com a missão de aproximar indústria, academia e mecanismos de financiamento para acelerar o desenvolvimento tecnológico do setor.
A parceria entre a ABIMO e a Embrapii inclui projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação realizados com empresas do setor de dispositivos médicos. Durante o congresso, a cooperação terá continuidade com atividades voltadas à discussão de novas oportunidades de inovação.
Para Nazareth, o retorno do CIMES representa uma oportunidade de levar esse trabalho a um número ainda maior de empresas. “Queremos mostrar para mais empresas que existem recursos, centros de excelência e um modelo ágil para desenvolver inovação”, pontua.
Ao reunir representantes da indústria, da academia, de hospitais, de centros de pesquisa e de instituições de fomento, o CIMES promove debates sobre pesquisa, desenvolvimento e inovação no Complexo Econômico-Industrial da Saúde, incluindo temas relacionados ao desenvolvimento tecnológico e à inovação no setor de dispositivos médicos.
CIMES 2026
16 de setembro de 2026
13h às 17h
FIESP
Avenida Paulista, 1313
Inscreva-se AQUI
Publicado em 23/07/2026