Quando a conversa pode virar projeto: Rodada do CIMES aproxima indústria e centros de pesquisa

Mais de 50 reuniões já estavam agendadas antes do início do evento, conectando empresas brasileiras de dispositivos médicos a 10 Unidades Embrapii com competências para apoiar o desenvolvimento de novos projetos de inovação

Depois de discutir ao longo de uma tarde como acelerar a inovação, colocar o paciente no centro e conectar ciência, indústria, fomento e regulação, o 8º CIMES – Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde abriu espaço para que parte dessas conexões começasse a acontecer na prática.

Realizada paralelamente à programação de painéis, a Rodada de Inovação Tecnológica colocou frente a frente empresas brasileiras de dispositivos médicos e 10 Unidades Embrapii, instituições de ciência e tecnologia credenciadas para desenvolver projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em parceria com a indústria.

Antes mesmo do início do CIMES, mais de 50 reuniões já estavam agendadas. “Trouxemos ao congresso 10 Unidades Embrapii para que possam conversar com as empresas, entender seus gargalos e desenvolver essas tecnologias. São 50 reuniões agendadas com espaço para mais atendimentos”, afirmou Igor Nazareth, diretor de Planejamento e Relações Institucionais da Embrapii.

A dinâmica partiu de uma lógica simples: de um lado, empresas chegaram com demandas e desafios tecnológicos; do outro, encontraram instituições com conhecimento, infraestrutura e equipes especializadas capazes de contribuir para o desenvolvimento de soluções.

As competências disponíveis mostram a amplitude dessas possibilidades. As dez Unidades presentes no CIMES atuam em áreas que vão de inteligência artificial, ciência de dados, software e hardware a biofotônica, biotecnologia, automação, robótica, sistemas inteligentes, conectividade e tecnologias especificamente voltadas à saúde.

A reunião, naturalmente, é apenas o começo. A partir da identificação de uma oportunidade de cooperação, empresa e Unidade Embrapii podem avaliar a viabilidade tecnológica da demanda, definir o escopo de um eventual projeto e discutir as condições para desenvolvê-lo. É justamente aí que uma conversa iniciada no CIMES pode começar a se transformar em projeto.

Entenda o modelo de fomento da Embrapii

Um dos diferenciais do modelo Embrapii é que a contratação dos projetos não depende da abertura de editais, o que permite que as empresas procurem as Unidades credenciadas de acordo com suas próprias demandas.

Essa característica é especialmente relevante em um setor no qual oportunidades tecnológicas e necessidades de mercado nem sempre podem esperar a abertura de uma chamada pública.

No modelo de fomento realizado em parceria com o BNDES, por exemplo, empresas com receita operacional bruta anual superior a R$ 90 milhões podem ter um terço do custo do projeto aportado pela Embrapii. Os outros dois terços são negociados entre a empresa e a Unidade Embrapii.

Para empresas com receita inferior a R$ 90 milhões anuais, a participação da Embrapii pode chegar a 50% do valor do projeto. Essa condição também pode ser aplicada a projetos colaborativos quando pelo menos uma das empresas participantes estiver nessa faixa de faturamento. Os 50% restantes são negociados entre a indústria e a Unidade Embrapii.

Há ainda o modelo desenvolvido em parceria com o Sebrae, voltado a startups e pequenas empresas ao longo do ciclo de desenvolvimento. Nesse formato, 50% dos recursos são aportados pela Embrapii, 20% pela Unidade Embrapii e 21% pelo Sebrae, restando apenas 9% do valor do projeto para investimento da empresa.

As possibilidades de apoio têm aderência particular ao perfil da indústria representada pela ABIMO: 80% das empresas do setor de dispositivos médicos faturam menos de R$ 50 milhões por ano e 30% estão enquadradas no Simples Nacional. Dessa forma, os diferentes modelos permitem contemplar empresas de portes distintos.

Saúde já é um dos principais setores apoiados

A aproximação promovida durante o 8º CIMES ocorre em um momento em que a saúde já ocupa espaço relevante no portfólio da Embrapii. Atualmente, o setor está na segunda posição em número de projetos apoiados, atrás apenas do agronegócio, com diferença de 1,5% entre os dois segmentos.

Desde 2013, a saúde acumula 484 projetos e mais de R$ 726 milhões em investimentos. Mais de 20% desses projetos foram desenvolvidos por empresas associadas à ABIMO.

A Embrapii conta com aproximadamente 100 institutos de pesquisa credenciados em todo o Brasil, permitindo que empresas encontrem competências em diferentes áreas tecnológicas e regiões. Outro dado ajuda a dimensionar a agilidade do modelo: o tempo médio entre a procura de uma empresa por uma Unidade Embrapii e o início efetivo de um projeto é de 42 dias.

Nesse contexto, as mais de 50 reuniões agendadas para o CIMES representam justamente o primeiro passo que o evento buscou estimular: aproximar uma demanda real da indústria de quem possui conhecimento e capacidade tecnológica para ajudar a transformá-la em inovação.

Confira AQUI as 10 Unidades Embrapii presentes no 8º CIMES e conheça suas diferentes competências para o desenvolvimento de soluções para a indústria de dispositivos médicos.

Publicado em 17/09/2026

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