Projeto INTERNORMAS reforça protagonismo brasileiro na construção de normas internacionais para dispositivos médicos

Iniciativa que amplia participação do Brasil em fóruns globais e fortalece competitividade da indústria nacional foi detalhada durante painel da ABIMO na Feira Hospitalar

Durante o painel “Evidência regulatória ao longo do ciclo de vida”, realizado pela ABIMO na Feira Hospitalar 2026, o professor e pesquisador da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), José Alberto Ferreira Filho, apresentou os avanços e objetivos do Projeto INTERNORMAS, iniciativa voltada à harmonização de normas técnicas brasileiras com os padrões internacionais para dispositivos médicos. Clique AQUI para ler a cobertura completa do painel.

Desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com a UNIFEI, o projeto atua diretamente no fortalecimento da infraestrutura normativa do país e na ampliação da participação brasileira nos fóruns globais de normalização técnica.

Segundo José Alberto, o projeto foi estruturado sobre duas grandes frentes estratégicas. A primeira é a internalização das normas técnicas internacionais no Brasil. A segunda envolve o fortalecimento da presença brasileira nos principais comitês internacionais responsáveis pela construção das futuras regulamentações do setor.

“Se o Brasil não estiver presente nesses comitês internacionais, acaba sendo engolido pelas posições dos outros países”, afirmou o pesquisador durante a apresentação.

O professor explicou que o projeto trabalha diretamente em apoio ao funcionamento do ABNT/CB-026, comitê da ABNT responsável pelas normas técnicas relacionadas a dispositivos médicos e cuja secretaria é conduzida pela ABIMO. É nesse ambiente que acontecem as discussões técnicas responsáveis pela elaboração, adaptação e publicação das normas aplicadas ao setor no país.

Além de apoiar, o INTERNORMAS também subsidia a participação de especialistas brasileiros em reuniões internacionais da ISO, IEC e ASTM onde são debatidas as futuras normas globais do segmento.

“Nessas reuniões estão chineses, alemães, americanos, vietnamitas e representantes de diversos países defendendo suas posições. Quem participa ali representa o Brasil, não a sua empresa ou instituição”, explicou José Alberto.

Atualmente, o projeto apoia a internalização de 160 normas técnicas internacionais. Segundo o pesquisador, nos primeiros anos houve forte investimento em tradução técnica dos documentos para acelerar os processos normativos nacionais. Com o avanço recente das ferramentas de inteligência artificial, porém, o projeto passou a redirecionar parte desses esforços para outras atividades estratégicas.

“Hoje percebemos que a inteligência artificial faz um trabalho fantástico de tradução. Então estamos substituindo parte desse aporte por outras necessidades do projeto”, comentou.

Brasil deixa de ser apenas consumidor de normas

Um dos principais pontos destacados durante a apresentação foi a mudança de posicionamento do Brasil no cenário internacional de normalização técnica. Segundo José Alberto, o país deixou de atuar apenas como consumidor de normas internacionais e passou a exercer papel ativo na construção e liderança desses documentos. “Hoje o Brasil não é apenas consumidor de normas. Estamos externalizando normas e assumindo posições de liderança”, afirmou.

Como exemplo, o pesquisador citou a ABNT NBR 16328:2024, norma brasileira que trata da esterilização de produtos para saúde e que está em processo de transformação em norma ISO internacional. Ele também destacou a participação crescente de especialistas brasileiros em cargos estratégicos dentro dos comitês técnicos globais.

Segundo ele, o Brasil passará a coordenar, junto com a Alemanha, um grupo internacional ligado ao ISO/TC 150 Implants for surgery, voltado a implantes personalizados. Consolidando também o papel de liderança do Brasil no cenário internacional, o professor da Universidade Federal de Santa Catarina, foi eleito Chairperson do ISO/TC 150/SC 5, comitê de Implantes para osteossíntese e para coluna. “O Brasil hoje é membro atuante em 87% dessas discussões internacionais”, ressaltou.

Apesar do apoio estrutural promovido pelo projeto, José Alberto enfatizou que o protagonismo técnico brasileiro nasce diretamente das comissões de estudo formadas por especialistas do setor. “Quem faz a mágica são as comissões. O projeto está ali para ajudar”, resumiu.

Projeto fortalece competitividade

Lançado oficialmente em abril deste ano, o Projeto INTERNORMAS também permite que a indústria brasileira de dispositivos médicos atenda com maior eficiência aos requisitos internacionais de segurança, qualidade e conformidade regulatória, reduzindo barreiras comerciais e ampliando sua competitividade global.

Na prática, a harmonização normativa tende a facilitar o desenvolvimento de produtos alinhados aos padrões internacionais, reduzir custos de adaptação regulatória e ampliar a inserção das empresas brasileiras em mercados externos.

Além da elaboração e internalização de normas técnicas, o projeto prevê a realização de eventos, painéis e ações de disseminação de conhecimento voltados ao setor regulado, fortalecendo a cultura de conformidade e inovação na indústria brasileira de dispositivos médicos.

 


A participação nas Comissões de Estudos do ABNT/CB-026 é voluntária e aberta a todos os interessados, representando uma oportunidade única de contribuir para o desenvolvimento do setor da saúde no Brasil.
Para se cadastrar e acompanhar o andamento das atividades do Comitê, acesse o portal ABNT Online por meio do link: https://www.abntonline.com.br/normalizacao/.

Publicado em 25/05/2026

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