Painel na Feira Hospitalar mostrou como planejamento, transparência e gestão de recursos impactam diretamente o acesso da população à saúde e a dinâmica da indústria nacional

Entender como os recursos circulam dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) é fundamental para toda a cadeia produtiva, especialmente para a indústria brasileira de dispositivos médicos, que enxerga nas compras públicas um dos principais motores de desenvolvimento e crescimento operacional. Foi justamente com esse objetivo que a ABIMO promoveu, durante a Feira Hospitalar 2026, o painel “Os caminhos do financiamento do Sistema Único de Saúde”.
Realizado pela campanha #saudefeitanobrasil, o encontro contou com Dárcio Guedes Júnior, Diretor do Fundo Nacional de Saúde (FNS) do Ministério da Saúde, para apresentar, de forma prática, como funciona o fluxo de financiamento federal do SUS, os mecanismos de planejamento e as ferramentas utilizadas para orientar investimentos em saúde no Brasil. Márcio Bósio, diretor Institucional da ABIMO, conduziu o debate.
Logo na abertura, Dárcio ressaltou a relevância do tema para todos os atores da cadeia da saúde. “Entender o processo de financiamento é importante porque ele é a base motriz para garantirmos acesso e cuidado às pessoas”, afirmou.
Segundo ele, o SUS precisa ser compreendido não apenas como um sistema de assistência médica, mas como uma estrutura voltada à promoção da qualidade de vida da população. “Saúde não é apenas ausência de doença, mas um perfeito bem-estar físico, mental e social”, destacou, relacionando o conceito aos princípios constitucionais do SUS.
Sistema universal para um país continental
Ao longo da apresentação, Dárcio contextualizou o tamanho do desafio brasileiro. Atualmente, o SUS atende cerca de 190 milhões de pessoas em um país de dimensões continentais, com profundas diferenças regionais e desafios crescentes relacionados ao envelhecimento populacional.
Segundo ele, o orçamento federal da saúde previsto para 2026 chega a aproximadamente R$ 253 bilhões. O financiamento do SUS ocorre de forma tripartite, envolvendo União, estados e municípios, em uma lógica de gestão compartilhada. “É o conjunto desses recursos que faz o SUS funcionar”, explicou.
O diretor também chamou atenção para o peso crescente das emendas parlamentares dentro desse orçamento. Hoje, aproximadamente 11% dos recursos federais da saúde têm origem em emendas, ampliando a necessidade de monitoramento e qualificação do gasto público.
Para a indústria brasileira de dispositivos médicos, compreender essa dinâmica é estratégico. O Brasil possui uma das maiores redes públicas de saúde do mundo e uma demanda gigantesca por equipamentos, tecnologias e soluções alinhadas às necessidades populacionais. Nesse cenário, a #saudefeitanobrasil ganha relevância justamente pela capacidade da indústria nacional em atender o mercado interno com produtos adaptados à realidade do país.
Planejamento é o ponto de partida
Durante o painel, Dárcio explicou que o financiamento do SUS vai muito além da simples transferência de recursos financeiros. Segundo ele, tudo começa no planejamento. “Todo planejamento tem que ser ascendente. Cada município possui seu plano para a saúde e suas necessidades definidas com base em indicadores locais”, afirmou.
Ele explicou que cerca de 95% dos recursos do FNS precisam estar previstos antecipadamente nesses planos para que possam ser executados. É a partir deles que surgem as decisões relacionadas à compra de equipamentos, estruturação de unidades e ampliação de serviços.
Dárcio ressaltou ainda que as decisões do SUS não são centralizadas exclusivamente no Ministério da Saúde. O sistema opera por meio de pactuações entre estados, municípios e União, respeitando os princípios constitucionais da descentralização e da participação social.
Ferramentas públicas ajudam gestores
Uma das partes mais práticas do painel abordou as ferramentas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde para apoiar gestores públicos na tomada de decisão. Segundo Dárcio, muitos municípios enfrentam dificuldades técnicas para planejar corretamente seus investimentos em saúde. “Tem muito gestor tomando decisão errada por falta de conhecimento”, afirmou.
Entre as plataformas apresentadas está o SOMASUS, sistema que auxilia gestores na definição de estruturas físicas, equipamentos e custos necessários para implantação de serviços de saúde. A ferramenta permite, por exemplo, simular quanto custa construir e equipar uma maternidade, um centro cirúrgico ou uma unidade hospitalar completa.
Segundo Dárcio, o sistema oferece inclusive visualizações tridimensionais dos ambientes e referenciais de equipamentos, permitindo maior previsibilidade para toda a cadeia da saúde. “Esse portal direciona a informação para saber o que cada unidade precisa, o que pode receber e qual o preço médio”, explicou.
Ele destacou que essas informações ajudam tanto os gestores públicos quanto a própria indústria, já que aumentam a previsibilidade dos investimentos futuros em saúde no país e permite que o gestor saiba exatamente o que precisa para equipar a sua unidade, criando editais bem específicos e detalhados.
Transparência e monitoramento ganham protagonismo
Outro ponto central do debate foi a transparência na aplicação dos recursos públicos. Dárcio apresentou ferramentas como o Portal do FNS, o SIOPS, o SISGEM e o SISMOB, que permitem acompanhar desde a transferência de recursos até a execução das obras, aquisição de equipamentos e prestação de contas.
Segundo ele, atualmente o governo federal monitora cerca de 45 mil unidades de saúde financiadas com recursos federais em todo o país. “Hoje já sabemos quanto cada município recebe, como pode gastar e como está gastando”, afirmou.
O diretor também destacou a importância da participação social nesse processo. Segundo ele, ferramentas como o aplicativo InvestSUS Cidadão permitem que qualquer pessoa acompanhe quanto dinheiro chegou para a saúde em seu município e como esses recursos estão sendo utilizados.
Clique aqui e acesse a apresentação de Dárcio Guedes Júnior.
Publicado em 25/05/2026