
Iniciativa defende política tributária equilibrada, combate à pirataria e ao crime organizado
O avanço do mercado ilegal no Brasil tem gerado prejuízos alarmantes para o ambiente de negócios e a segurança da população. Em debate promovido na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Seminário Nacional Brasil Legal, realizado dia 18 de junho, as entidades empresariais lançaram uma carta compromisso cobrando dos candidatos às eleições de 2026 ações integradas e parcerias público-privadas contra a pirataria, fraudes e o crime organizado. Dentro desse cenário, o segmento farmacêutico e de dispositivos médicos desponta como uma das áreas mais afetadas, registrando perdas anuais estimadas em R$ 20,2 bilhões devido à evasão fiscal e à comercialização de produtos fora do mercado formal.
Para conter os riscos associados à segurança do consumidor e combater a proliferação de anúncios ilícitos na internet — um desafio intensificado pela expansão do varejo digital —, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem apostado na transformação tecnológica.
Ações Estratégicas em Destaque:
-Uso de Inteligência Artificial: Por meio da ferramenta Epinet, fruto de uma cooperação técnica com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a Anvisa retirou do ar cerca de US$ 30 milhões em produtos irregulares.
-Fiscalização em Ambientes Ocultos: O monitoramento digital em larga escala permitiu que a agência identificasse fraudes e ofertas indevidas além do e-commerce tradicional, alcançando a deep web e grupos privados de mensagens (como Telegram e WhatsApp).
-Combate a Fraudes Complexas: A tecnologia se provou essencial para interceptar redes de comércio ilegal de alta complexidade, como a venda do medicamento controlado Venvanse associada a receitas falsificadas.
Diante do crescente ônus do “Custo Brasil” e do investimento privado necessário para proteção e monitoramento das cadeias produtivas, o fortalecimento de protocolos de asfixia financeira do crime organizado e a colaboração estreita entre indústrias e órgãos reguladores consolidam-se como caminhos indispensáveis para proteger a integridade do mercado de saúde nacional.
Publicado em 19/06/2026