Associação defende maior integração entre saúde, política industrial e comércio exterior para impulsionar o Complexo Econômico-Industrial da Saúde
Representada pelo presidente, Jamir Dagir Jr., e pelo diretor Institucional, Márcio Bósio, a ABIMO participou de uma reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, para discutir medidas voltadas ao fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) dentro das diretrizes da Nova Indústria Brasil e da Missão 2 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI).
O encontro teve como foco a construção de políticas públicas capazes de reduzir vulnerabilidades do Sistema Único de Saúde (SUS), ampliar o acesso da população à saúde e fortalecer a capacidade produtiva nacional no setor de dispositivos médicos.
Durante a reunião, os executivos da ABIMO entregaram ao ministro um ofício reconhecendo a atuação do MDIC na retomada da política industrial brasileira e destacando a importância estratégica da Missão 2 do CNDI, voltada à construção de um CEIS mais resiliente e menos dependente de fatores externos.
Segundo a Associação, a soberania sanitária brasileira passa diretamente pelo fortalecimento da indústria nacional, pela ampliação da capacidade produtiva instalada no país e pela redução da dependência de importações de produtos e insumos críticos para a saúde.
Um dos principais pontos apresentados pela ABIMO foi a necessidade de aperfeiçoamento da atual estrutura tributária, tarifária e regulatória aplicada ao setor. De acordo com a entidade, diversos segmentos da indústria de dispositivos médicos convivem hoje com assimetrias que acabam favorecendo produtos importados em detrimento da fabricação nacional.
A Associação argumentou que, enquanto muitos produtos acabados importados contam com alíquotas reduzidas ou benefícios tributários, componentes, matérias-primas e insumos utilizados pela indústria brasileira permanecem onerados, dificultando a verticalização da cadeia produtiva e reduzindo a competitividade das fabricantes instaladas no país.
Nesse contexto, a ABIMO defendeu que a política tarifária seja utilizada de forma estratégica como instrumento de estímulo à produção local, incentivando investimentos produtivos, inovação tecnológica e ampliação do conteúdo nacional. E, para isso, sugeriu a inclusão do Ministério da Saúde como membro permanente do Comitê Executivo de Gestão (GECEX) da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX).
Segundo a ABIMO, aproximadamente metade das deliberações analisadas pelo GECEX envolve produtos, equipamentos e insumos relacionados à saúde.
Na avaliação da entidade, a ausência permanente do Ministério da Saúde nesse colegiado acaba gerando desalinhamentos entre as políticas de comércio exterior, as prioridades do SUS, a regulação sanitária conduzida pela Anvisa e os objetivos da política industrial brasileira.
Para a Associação, a participação ativa do Ministério da Saúde no GECEX permitiria decisões mais alinhadas às necessidades do sistema público de saúde e aos objetivos de fortalecimento do CEIS, contribuindo para uma estrutura tributária mais equilibrada e para a construção de um ambiente mais favorável ao desenvolvimento da indústria nacional.
A ABIMO também reforçou ao ministro sua disposição em atuar em parceria com o Governo Federal na construção de um ambiente regulatório e econômico mais competitivo, previsível e favorável ao desenvolvimento tecnológico da saúde brasileira.
Publicado em 28/05/2026