Abril traz desaceleração nas importações e mantém pressão sobre exportações de dispositivos médicos

Leitura por verticais revela mudanças no comportamento do comércio exterior e reforça a importância da análise estratégica no setor

Os dados mais recentes da balança comercial de dispositivos médicos indicam um cenário de ajustes ao longo de 2026. No acumulado entre janeiro e abril, o setor registrou crescimento de 9,11% nas importações e retração de 20,69% nas exportações em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar desse movimento no consolidado, o mês de abril apresentou sinais de mudança no ritmo das compras externas. Após uma alta expressiva em março, quando as importações avançaram 16,35%, abril registrou queda de 3,66%, sugerindo uma desaceleração pontual. Já as exportações mantiveram a trajetória de recuo, com variação negativa de 20,80% no mês.

A análise mais detalhada mostra que os movimentos não são homogêneos e variam conforme o segmento.

Exportações

No recorte das exportações, as verticais médico-hospitalar e de laboratório apresentaram retração em abril, com quedas de 33,83% e 17,58%, respectivamente. Em contrapartida, os segmentos de reabilitação e odontologia avançaram, com altas de 29,53% e 6,70%.

Um dos pontos de atenção está na mudança de comportamento da vertical de laboratório. Em março, o segmento havia registrado crescimento significativo nas exportações, de 30,24%, mas em abril apresentou retração, indicando volatilidade nas vendas externas desse grupo de produtos. Já as demais verticais mostraram maior estabilidade na comparação entre os dois meses.

Os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações brasileiras, com US$ 19,24 milhões em abril. Na sequência aparecem Argentina, México, Suíça e Colômbia. Juntos, esses cinco mercados concentraram cerca de metade das exportações do setor no período, somando US$ 41,5 milhões.

Importações

No lado das importações, o comportamento também variou entre as verticais. Houve crescimento nas compras de produtos médico-hospitalares e de reabilitação, com altas de 12,35% e 1,33%, respectivamente. Por outro lado, os segmentos de laboratório e odontologia registraram retração, de 12,95% e 19,93%.

Esse cenário pode estar diretamente relacionado ao contexto internacional, especialmente aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre custos e cadeias de suprimentos.

Segundo Larissa Gomes, gerente de Projetos e Marketing da ABIMO, os impactos já são percebidos pelas empresas. “As nossas indústrias já sinalizaram principalmente o aumento do custo da matéria-prima e do custo logístico”. Ela destaca ainda que componentes eletrônicos, partes e peças, itens amplamente importados para a finalização de equipamentos no Brasil, sofreram aumentos expressivos, chegando, em alguns casos, ao dobro do valor anterior, especialmente aqueles derivados do petróleo.

Mesmo diante desse cenário, a executiva ressalta a capacidade de adaptação do setor. A experiência adquirida durante a pandemia de covid-19, quando houve forte escassez global de insumos, contribuiu para tornar a indústria brasileira mais resiliente e preparada para lidar com oscilações no mercado internacional.

Os Estados Unidos lideraram também como principal origem das importações brasileiras em abril, com US$ 152,98 milhões em dispositivos médicos. China, Alemanha, Suíça e Japão completam a lista dos maiores fornecedores, concentrando, juntos, quase 60% das compras externas do Brasil no período. Interessante observar que dois países asiáticos integram esse top cinco mesmo durante período geopolítico de complexidade.

Perfil dos produtos comercializados

Entre os itens mais exportados pelo Brasil em abril estão artigos e aparelhos ortopédicos, produtos de polímeros de etileno, instrumentos odontológicos, categutes esterilizados e agulhas.

Já as importações seguem concentradas em produtos de maior complexidade tecnológica e insumos estratégicos, como imunológicos, reagentes de diagnóstico e laboratório, sondas, cateteres, cânulas e equipamentos utilizados em procedimentos médicos e análises clínicas.

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Publicado em 13/05/2026

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