Evento no 43º CIOSP reuniu reguladores, especialistas técnicos e indústria para discutir segurança, inovação e competitividade da manufatura aditiva

A manufatura aditiva, mais conhecida como impressão 3D, foi o centro do debate promovido pela ABIMO no dia 29 de janeiro, durante o 43º CIOSP, em São Paulo. Realizado das 15h30 às 17h, o seminário “Impressão 3D: cenário atual e tendências” reuniu representantes da Anvisa, do Inmetro e da indústria para discutir os avanços, os desafios regulatórios e o papel estratégico da tecnologia para a odontologia nacional.
A mediação ficou a cargo de Luiz Eduardo Costa, que destacou o caráter transversal do tema. “A manufatura aditiva não é apenas uma escolha tecnológica. Ela envolve regulação, qualidade, metrologia, estratégia industrial e, sobretudo, segurança do paciente. Por isso, esse debate é essencial para preparar o setor para o futuro”, afirmou.
Representando a Anvisa, Katia Shimabukuro Donath, da Coordenação de Materiais Implantáveis em Ortopedia (CMIOR/GGTPS) da Anvisa, ressaltou que a impressão 3D deve ser compreendida como um processo produtivo, e não apenas como sinônimo de personalização. “A manufatura aditiva precisa ser tratada com o mesmo rigor de outros processos industriais. Ela traz oportunidades enormes, mas exige cuidados com materiais, validações, pós-processamento e comprovação de segurança e desempenho”, explicou. Katia também destacou que a tecnologia já impacta diretamente a regulação de dispositivos médicos no Brasil, especialmente nas classes de risco mais elevadas.
Do ponto de vista metrológico e tecnológico, o pesquisador-tecnologista do Inmetro, Rafael M. Trommer, enfatizou que a impressão 3D só agrega valor quando bem aplicada. “Existem casos em que processos convencionais ainda são mais eficientes. A manufatura aditiva se justifica quando gera ganho real, seja em tempo, complexidade geométrica ou desempenho clínico”, pontuou. Segundo ele, a odontologia é uma das áreas com maior diversidade de aplicações, especialmente em próteses, guias cirúrgicos e reconstruções bucomaxilofaciais.
A aplicação clínica e o potencial transformador da tecnologia foram aprofundados por Théo Peres Colferai, que compartilhou experiências práticas e projetos internacionais. “A impressão 3D já mudou a história de pacientes com deformidades faciais severas. Quando combinamos ciência, indústria e inovação, conseguimos soluções antes inimagináveis”, relatou. Para ele, que é sócio-diretor da Bioconect, o grande desafio brasileiro é fortalecer políticas públicas que incentivem parcerias entre universidades e empresas. “Pesquisa nasce na academia, desenvolvimento acontece na indústria. Sem essa integração, o país anda com o freio de mão puxado”, alertou.
Encerrando o ciclo de apresentações, Pâmella de Oliveira, head de Marketing Américas da Kulzer Brasil, trouxe a visão do mercado e da indústria de materiais odontológicos. “A impressão 3D já é uma realidade consolidada na odontologia, mas sua adoção precisa ser consciente. A escolha do equipamento deve partir da aplicação clínica, sempre alinhada à conformidade regulatória e à segurança sanitária”, destacou. Segundo ela, fluxos digitais padronizados e validados são fundamentais para garantir escala, eficiência produtiva e redução de custos sem comprometer a qualidade.
Ao longo do seminário, ficou evidente que a manufatura aditiva representa uma mudança estrutural na forma de desenvolver, fabricar e aplicar dispositivos odontológicos. Mais do que uma tendência tecnológica, a impressão 3D foi apresentada como um vetor estratégico para aumentar a competitividade da indústria brasileira, ampliar a capacidade de inovação e elevar o padrão de qualidade e segurança da assistência odontológica no país.
O debate integrou a programação técnica da ABIMO no 43º CIOSP e reforçou a importância de alinhar avanço tecnológico, regulação e estratégia industrial para que a odontologia nacional acompanhe a velocidade das transformações globais e consolide sua relevância no cenário internacional.
Publicado em 03/02/2026




