Balança comercial aponta ajustes no setor de dispositivos médicos e reforça importância de estratégia internacional

Dados mostram avanço das importações e recuo das exportações; diversidade de mercados e produtos segue como diferencial da indústria brasileira

Os dados mais recentes da balança comercial do setor de dispositivos médicos indicam um cenário de ajustes no início de 2026, com aumento das importações e retração nas exportações em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, as exportações passaram de US$ 164 milhões em 2025 para US$ 135 milhões em 2026, uma variação de -18,04%. Já as importações cresceram de US$ 1,6 bilhão para US$ 1,8 bilhão, alta de +12,81%.

No recorte de fevereiro, o movimento se repete: queda de 19,29% nas exportações e crescimento de 10,92% nas importações na comparação com o mesmo mês de 2025.

Apesar do cenário, a análise mais detalhada revela sinais importantes para o posicionamento estratégico das empresas, especialmente pela diversidade de mercados atendidos e pela amplitude do portfólio exportado.

Exportações

Entre as verticais, o segmento médico-hospitalar apresentou a maior variação, com exportações passando de US$ 56,8 milhões para US$ 41,2 milhões (-27,38%). Produtos para laboratório também registraram redução, de US$ 8,9 milhões para US$ 7 milhões (-20,61%).

Por outro lado, segmentos como reabilitação e odontologia apresentaram desempenho positivo. Reabilitação cresceu 6,01%, atingindo US$ 11,6 milhões, enquanto odontologia manteve estabilidade, com leve alta de 0,56%, chegando a US$ 9,7 milhões, um indicativo relevante diante do cenário geral.

Os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações brasileiras, com US$ 15,97 milhões, seguidos por Argentina, Colômbia, México e Chile. Juntos, esses cinco mercados representam 26,36% do total exportado, evidenciando a diversificação geográfica como uma das forças da indústria nacional.

O portfólio também se mantém amplo. Entre os produtos mais exportados estão artigos ortopédicos, itens de polímeros de etileno, categutes, pensos adesivos e agulhas para sutura. Juntos, esse mix de produtos representam 19,21% do total, reforçando a variedade da oferta brasileira.

Importações

No movimento das importações, os maiores avanços foram observados nas verticais de laboratório, que cresceu 27,03% (de US$ 376 milhões para US$ 477 milhões), e reabilitação, com alta de 16,83% (de US$ 52 milhões para US$ 61 milhões).

Já os segmentos médico-hospitalar e odontológico registraram leve retração nas compras externas, respectivamente -5,80% e -6,58%.

Os principais países de origem das importações são Alemanha, Estados Unidos, China, Suíça e Irlanda, responsáveis por 32,18% do total. Entre os itens mais importados estão produtos imunológicos, reagentes laboratoriais, sondas e cateteres, além de instrumentos e equipamentos médicos, categorias que, juntas, somam 23,56% das importações.

Inteligência de mercado

Mais do que um retrato momentâneo, os dados reforçam a importância da análise estratégica da balança comercial para o setor.

“A análise da balança comercial permite, à indústria com foco na internacionalização, identificar oportunidades, reduzir riscos e tomar decisões mais estratégicas sobre onde investir, competir e crescer no mercado externo”, destaca Larissa Gomes, gerente de Marketing e Projetos da ABIMO.

Segundo a executiva, o acesso a essas informações permite que as empresas deixem de atuar de forma reativa e passem a antecipar movimentos do mercado, ajustando suas estratégias com maior precisão.

Os dados apresentados são do ComexStat/MDIC e foram compilados pelo time de inteligência comercial da ABIMO. O relatório completo, com análises detalhadas por produto, país e segmento, pode ser acessado AQUI.

Publicado em 23/03/2026

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