Sobre exportar na pandemia: por que você deve se preparar antes de começar

Desde março de 2020, o cenário da economia brasileira tem se desenhado mais ou menos assim: na realidade das micro e pequenas empresas, 59% interromperam temporariamente o funcionamento, 87% viram o faturamento mensal despencar, 59% tiveram os pedidos de empréstimos negados e 3,5% fecharam as portas de vez, diz uma pesquisa do Sebrae. Nas empresas maiores, já consideradas indústrias, o quadro não é muito diferente: 79% tiveram queda na demanda e 18% pararam a produção, aponta a Confederação Nacional das Indústrias (CNI).

Há mais de um ano imersas na pandemia de Covid-19, empresas de todos os tamanhos, portes e ramos de negócio enfrentam uma situação complicada. Ninguém ficou imune aos abalos provocados pela crise sanitária e a tudo que veio junto com ela.

Mas a mesma pandemia que derrubou a economia global e bagunçou faturamentos, também fez soar um alarme de atenção. E ele avisa: exportar deveria entrar na lista de apostas para a recuperação.

O motivo: talvez estejamos diante de uma das maiores janelas de oportunidade para ingressar no mercado exterior dos últimos anos. Exportar sempre foi interessante para diversificar o mercado, ampliar o público em potencial, tornar o negócio mais competitivo. Em tempos de crise, ainda garante diferentes fontes de receita internacional, ajuda a sustentar o faturamento e permite que o negócio não dependa de um único país ou de uma única moeda.

Neste exato momento em que você lê este artigo, por exemplo, o dólar está nas alturas. Quem já exporta está diante de um cenário totalmente favorável para as vendas fora do país. É a faca e também o queijo na mão. Enquanto a pandemia segue forte no Brasil, a história de alguns negócios já começou a mudar. Se em 2020, o problema era manter o faturamento, agora não é mais.

Exportar, portanto, pode ser um bom caminho para se recuperar da crise.

Mas também pode não ser.

É aí que entra a confusão. Exportar em meio à pandemia é quase uma faca de dois gumes. É uma roupa que serve muito bem naqueles que já estavam preparados e já atendiam as demandas e registros internacionais. Para esses, a hora é agora. Para todos os outros, é preciso cuidado antes de avançar o sinal: provavelmente, você não está pronto.

Cruzar fronteiras não é tão simples como entrar em outro Estado ou chegar na cidade vizinha. Exportar é um processo. Exige dedicação e planejamento. Exige o desenvolvimento de uma cultura interna de exportação e de uma estratégia permanente na empresa.

Exportar leva tempo.

Por Cristina Wolowski, CEO da Links Comex

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