Pesquisa mostra que investimento cai com alteração na taxa de juros do BNDES

São Paulo, 20 de julho de 2017 – Entre abril e maio deste ano, o Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) realizou uma pesquisa com empresas industriais para avaliar o impacto da mudança da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para a Taxa de Longo Prazo (TLP). Foram entrevistadas 403 empresas que solicitaram (com ou sem sucesso) financiamentos do BNDES nos últimos dois anos, de um total de 1036 companhias consultadas.

As empresas foram questionadas para o caso de haver uma mudança na TJLP que elevasse a taxa de 7,5% a.a. (nível vigente na época) para 10% a.a. (nível estimado na época para a nova taxa de juros do BNDES, atrelada a NTN-B).

A pesquisa aponta que 66% das empresas entrevistadas reduziriam o investimento previsto para os próximos dois anos diante do aumento da taxa de juros do BNDES. Para 37% dessas empresas, a redução do investimento superaria 40%.

A análise revela também que a reação de reduzir os investimentos previstos com a alteração da taxa de juros do BNDES não se concentra em apenas um porte, 65% das pequenas e médias empresas e 70% das grandes reagiriam reduzindo o investimento. Mais de um terço das empresas de todos os portes reduziriam os investimentos em mais de 40% se a TJLP fosse alterada.

Segundo a Fiesp, além de elevar a taxa de juros do crédito do BNDES, a mudança da TJLP para TLP introduziria maior volatilidade nas taxas de juros, aumentaria a incerteza das decisões de investimento e desestabilizaria imediatamente o ambiente em momento crítico em que a disposição do empresário a investir já está muito baixa. “A taxa de investimento da economia tem despencado, está no nível mais baixo em 20 anos, entre as mais baixas do mundo e há dificuldades para recuperação econômica”, explica José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor do departamento, que ainda acrescenta: “Nesse contexto, a discussão sobre a mudança na taxa de juros dos financiamentos do BNDES vem em momento inadequado”.

Coelho destaca também que como o país tem a maior taxa de juros real do mundo e carece de alternativas viáveis de financiamento de longo prazo, o crédito do BNDES é de grande importância ao investimento. “Juros do BNDES e SELIC precisam convergir, mas é a SELIC que necessita ser reduzida aos níveis das taxas internacionais, e não os juros do BNDES que devem aumentar”.

É importante ressaltar que a TJLP ainda era de 7,5% a.a. quando a pesquisa foi elaborada. Posteriormente foi reduzida para 7,0% a.a. Além disso, ainda não havia sido publicada a MP 777 oficializando a intenção de mudança da TJLP para TLP (equiparada a NTN-B) e definindo o prazo de transição da TJLP para TLP em cinco anos.

Acesse aqui o estudo “Impactos da substituição da TJLP pela TLP sobre o Investimento”

Acesse aqui a reportagem publicada no jornal Valor Econômico sobre o assunto

 

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