Parceria entre indústria e unidade Embrapii desenvolve nova tecnologia para cirurgias

Realização da Braile Biomédica junto ao Instituto Eldorado produziu equipamento para maior controle de monitoramento em cirurgias cardíacas e oncológicas

A aproximação entre a indústria de saúde e as unidades Embrapii já rende bons frutos. Bastante incentivado pela ABIMO – que investe em rodadas de negócios criadas para que as duas pontas possam conversar e encontrar caminhos interessantes para projetos inovadores – esse diálogo entre quem detêm o conhecimento e quem conta com as ferramentas para transformar esse conhecimento em produtos e soluções acaba de gerar um novo equipamento para aprimoramento médico.

Desenvolvido pela Braile Biomédica em parceria com o Instituto Eldorado, o equipamento tem funcionalidade dupla e oferece maior controle de monitoramento tanto em cirurgias cardíacas quanto na realização da HIPEC (quimioterapia hipertérmica intraperitoneal).

Segundo Glaucia Basso, coordenadora de pesquisa da Braile, o contato da empresa com a Embrapii começou em meados de 2012, mas foi durante a realização da edição 2017 do CIMES (Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde) que a aproximação começou a caminhar para um desfecho interessante. “Apresentamos um dos nossos cases no congresso e então o Instituto Eldorado, que estava começado a atuar com o setor de saúde, veio ao nosso encontro”, esclarece Glaucia.

A pesquisadora explica que o primeiro passo foi verificar quais as demandas da empresa e qual o tipo de suporte que o instituto poderia oferecer para suprir essas necessidades de produção. “Foi assim que definimos o projeto e começamos a elaborar o plano que levou, aproximadamente, um ano para ser concretizado”, disse ao lembrar que o equipamento foi apresentado esta semana ao público do 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, evento realizado em São Paulo entre 10 e 11 de junho.

Patrícia Braile, que preside a marca, aponta que a empresa já tinha a necessidade de desenvolver um módulo deste formato para as cirurgias e que, para isso, precisava do auxílio de um instituto com conhecimento específico nessa área.

Segundo a executiva, além de auxiliar no desenvolvimento da inovação, a parceria com o Eldorado auxilia na agilidade dos processos para inserção da solução no mercado. “Todo o processo de testes e certificação com certeza será mais rápido pois o Instituto Eldorado tem muito conhecimento embasado em todas as normas, o que acreditamos que acelerará bastante essa fase”, declara.

Ainda sobre a parceria, tanto Patrícia quanto Glaucia mostram-se bastante motivadas. “Sinto que há total envolvimento das unidades Embrapii com as indústrias de saúde. Sentimos, por parte do Eldorado, um contato realmente próximo, cheio de interesse e vontade de realizar”, diz a presidente.

Já para Glaucia, que está sempre presente tanto no CIMES quanto nas rodadas de negócios promovidas pela ABIMO, as vantagens deste tipo de parceria são inúmeras. “Vemos que os centros de pesquisa realmente estão em busca de empresas para o desenvolvimento de inovações. Encontramos profissionais altamente qualificados que abraçam os projetos”, finaliza reforçando que a Braile segue em busca de novas parcerias para criar ainda mais inovações dentro do cenário de saúde brasileiro.

Entenda a solução – O equipamento desenvolvido pela Braile Biomédica em parceria com o Instituto Eldorado visa oferecer maior controle de monitoramento em cirurgias cardíacas e oncológicas. Tecnologia já existente em outros países, mas pioneira no Brasil, permitirá maior eficiência, já que aprimorará os procedimentos médicos a custos mais acessíveis, visto que a produção é 100% nacional.

A cardioplegia é indicada para pré-condicionamento e administração de soluções cardioplégicas ao coração a fim de possibilitar uma parada cardíaca segura e protegida durante a circulação extracorpórea, recurso que substitui temporariamente o coração e os pulmões do paciente durante o procedimento cirúrgico. É a cardioplegia a responsável pela nutrição das células do miocárdio, protegendo o coração durante a cirurgia.

A solução também será de extrema importância para a HIPEC, tipo de quimioterapia realizada durante a cirurgia oncológica para tratamento de tumores de órgãos localizados no peritônio como, por exemplo, intestinos, ovários, apêndice e estômago. Durante o procedimento, o medicamento quimioterápico é aplicado no paciente exclusivamente na região afetada, sem precisar circular por todo o corpo como ocorre na quimioterapia convencional.

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