Oficina mercados-alvo aborda Tailândia e Indonésia

Promovido pelo Brazilian Health Devices no dia 11 de julho, evento contou com especialistas para tratar de aspectos comerciais, culturais e regulatórios

O Brazilian Health Devices, projeto setorial executado pela ABIMO em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), segue trabalhando em ações para fortalecimento da indústria nacional no mercado asiático. Depois de realizar uma missão prospectiva no início do ano, identificando excelentes oportunidades de negócios para a cadeia produtiva brasileira nos mercados da Tailândia e da Indonésia, o projeto promoveu, por meio da oficina mercados-alvo, a apresentação de importantes aspectos desses países para os interessados nesse plano de exportação. A ação, feita no dia 11 de julho em São Paulo, contou com especialistas que abordaram desde aspectos comerciais e culturais até especificidades regulatórias de ambos os territórios.

O mercado da Indonésia, definido como alvo prioritário para todas as verticais atendidas pelo Brazilian Health Devices, destaca-se por suas dimensões. Com população maior do que a do Brasil e estimada, atualmente, em 250 milhões de habitantes, não conta com produção doméstica de dispositivos para saúde em escala relevante, o que os torna dependentes de importações. Assim, o país se empenha em atrair e internalizar investimentos produtivos. “Esse interesse é intensificado pela necessidade de a nação prover serviços de saúde a uma população de enormes proporções”, enfatiza Rafael Cavalcante, coordenador de acesso a mercados da ABIMO.

O grande destaque do comércio bilateral entre Brasil e Indonésia está no fato de que o país asiático se posiciona muito bem, nos últimos anos, entre os principais destinos dos produtos exportados pelo Brazilian Health Devices, tendo encerrado 2018 como o 11º principal comprador da indústria de saúde participante do projeto setorial.

Já a Tailândia, mercado-alvo secundário para os setores médico-hospitalar, de laboratório e de reabilitação, é um território bastante exigente, visto que, com a China e outros mercados asiáticos, integra a macrorregião mais dinâmica economicamente no mundo. Assim, a meta do Brazilian Health Devices junto ao país é fortalecer a marca Brasil como fornecedor confiável. “Para isso precisamos reforçar nossas credenciais de qualidade junto a mercados que já compram nossos produtos”, pontua o coordenador.

Em termos de concorrência, a produção brasileira que visa exportar para os tailandeses entra em disputa com os dispositivos da China, EUA e Alemanha – grandes exportadores de saúde –, mas também com produtos provenientes de países asiáticos como Malásia e Singapura. Como vantagem competitiva, a indústria brasileira deve investir em qualidade, boa relação custo-benefício, e atendimento customizado ao cliente envolvendo assistência técnica e treinamento.

Outra percepção anotada por Cavalcante durante a missão prospectiva em janeiro deste ano foi que o público tailandês, até mesmo por seu histórico monárquico, preza a hierarquia também em relações de cunho comercial. “Assim, é importante que diretores e CEOs das empresas brasileiras estejam envolvidos nas negociações”, pontua.

O mercado da Tailândia encerrou 2018 na 23ª posição no ranking das exportações das empresas participantes do Brazilian Health Devices, apontando crescimento de 7,8% em comparação a 2017.

Relações comerciais e parcerias – Compondo sua programação dedicada à compreensão da Tailândia e da Indonésia, a oficina mercados-alvo contou com a presença de representantes da KBI (Câmara de Negócios da Indonésia), entidade que vem trabalhando no desenvolvimento de um plano de negócios que contemple as políticas socioeconômicas estabelecidas pelo governo indonésio em consonância com as oportunidades do mercado brasileiro. Estiveram presentes Jones Rafael Reinauer Ong e Hugo Tadeu Ghiraldini, respectivamente presidente e diretor de negócios internacionais da Câmara.

Aspectos regulatórios – A oficina apresentou aos participantes os principais requisitos regulatórios, apontando as diferenças e semelhanças entre os processos de registro tailandês e indonésio, além de enfatizar a importância de as empresas determinarem uma estratégia regulatória para atendimento a esses requisitos antes mesmo de iniciar o plano de exportação a fim de prevenir problemas e estabelecer cenários de adequação dos produtos.

A apresentação foi realizada por Marcelo Antunes e Francisco Faloci, ambos da SQR Consulting, consultoria especializada em assuntos regulatórios de produtos para a saúde atuante em áreas como gerenciamento de riscos, sistemas de qualidade e normalização.

Tanto Tailândia quanto Indonésia integram a ASEAN (Association of Southeast Asian Nations) e a AHWP (Asian Harmonization Working Party), o que os coloca em um mesmo patamar na busca pela harmonização na regulamentação de dispositivos médicos na Ásia.

Para exportar aos mercados tailandês e indonésio, a indústria de saúde deve obter registro dos dispositivos médicos nas agências reguladoras locais – TFDA (Medical Device Control Division of the Thai Food and Drug Administration) na Tailândia e NA-DFC (National Agency of Drug and Food Control) na Indonésia. Além disso, precisa investir em controle alfandegário de dispositivos médicos registrados e ter um representante ou importador legalmente estabelecido no país. Na Tailândia o processo de registro pode levar de 7 a 180 dias; na Indonésia, de 45 a 180 dias.

A última edição da ABIMO em Revista traz uma matéria completa sobre os mercados da Tailândia e da Indonésia. Para ler, basta clicar AQUI.

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