No Plenário, sessão solene em homenagem aos 60 anos da ABIMO reforça importância do fortalecimento da indústria de saúde nacional

Executivos e parlamentares enfatizaram a necessidade de uma política de estado que priorize a saúde e a produção interna

Comemorando 60 anos de atuação no setor de saúde, a ABIMO – Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos foi homenageada com uma sessão solene realizada na manhã de 11 de maio no Plenário Ulysses Guimarães, em Brasília (DF). A ação, requerida pelo deputado federal Pedro Westphalen (PP/RS), recebeu executivos e parlamentares ligados ao setor da saúde no país que, além de parabenizar a entidade, aproveitaram a ocasião para enfatizar a importância de o Brasil investir em uma política de estado que priorize a produção nacional.

Abrindo a sessão, Westphalen leu uma carta enviada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas). O texto reforçava que a ABIMO sempre teve metas ambiciosas que nunca deixaram de ser cumpridas e parabenizava a indústria de saúde brasileira pelo empenho e atuação durante a pandemia de covid-19. “Estamos diante de uma indústria moderna, capacitada, geradora de empregos e estratégica. O mundo deslocou parte de seus centros de manufatura para os países asiáticos, mas precisamos que essa produção seja novamente local. Em uma situação de emergência nacional não podemos depender de importações”, dizia a declaração fazendo referência aos inúmeros problemas de falta de equipamentos e produtos para assistência enfrentados pelo país durante a crise sanitária.

Na sequência, Westphalen cedeu espaço para que outras lideranças fizessem seus pronunciamentos. Marcus Vinícius Dias, Secretário-Executivo Adjunto da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, parabenizou a ABIMO pela força. “Uma instituição que consegue completar 60 anos de trabalho em um ambiente tão adverso é uma sobrevivente”, declarou.

Para José Gontijo, Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital na Secretaria de Empreendedorismo e Inovação do MCTI, o patriotismo com o qual a indústria de saúde brasileira agiu nos últimos dois anos jamais será esquecido. “Claro que essas empresas buscam desempenho comercial, mas, mesmo assim, elas deixaram esse espírito de lado para dar as mãos aos seus concorrentes e salvar vidas na pandemia”, disse.

Na sequência foi a vez de Ruy Baumer, presidente do SINAEMO – Sindicato da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos, Médicos e Hospitalares do Estado de São Paulo, trazer aos presentes sua percepção sobre os desafios enfrentados no momento. “Vimos a indústria crescer, inovar e atender até 85% da demanda de um hospital. Mas, devido à falta de políticas públicas e ao famoso Custo Brasil, assistimos essa indústria diminuir, correndo o risco de até mesmo desaparecer”, declarou.

O executivo – que também preside a Baumer, fabricante brasileira de dispositivos médicos –, reforçou que a indústria nacional precisa ser mais reconhecida, respeitada e impulsionada. “Ouvimos que os empresários querem proteção e mamata, mas só queremos igualdade de condições. Um hospital público, por exemplo, que importa dispositivos médicos não paga nenhum imposto. Já para comprar das marcas nacionais arca com até 48% de tributos”, explicou.

Franco Pallamolla, presidente da ABIMO, também fez seu pronunciamento. Primeiramente, agradeceu ao Pedro Westphalen pela disponibilidade e envolvimento com o setor: “Tenho convicção que o senhor honrou cada um dos votos que o trouxeram para essa casa”. Na sequência, fez um breve retrospecto da atuação da Associação, mencionando, inclusive, os ex-presidentes, e declarou que “saúde, segurança, educação e emprego formam o quadrilátero de sustentação de uma sociedade que se propõe a ser equilibrada”.

Com esse discurso, o presidente destacou a relevância estratégica do setor para o país e a necessidade de que seja tratado com excepcionalidade. “O Brasil pode e deve ter segurança e independência na produção de dispositivos médicos. Se adotarmos uma política industrial de estado, perene, com segurança jurídica e incentivo à inovação, até 2030 seremos um dos cinco maiores fabricantes de dispositivos médicos do mundo”, aposta.

Antes de Westphalen encerrar a sessão, o deputado Eleuses Paiva (PSD-SP) reforçou a importância da política de estado e do incentivo à inovação tecnológica na área da saúde. “Não há outro meio de caminharmos. Temos uma concorrência muito desleal com outros países que agem dessa forma”, disse.

Para encerrar o encontro, Westphalen parabenizou a ABIMO e a indústria. “A indústria nacional tem capacidade imensa de transformação. Só vi isso na Segunda Guerra Mundial. Em um dia tínhamos três fábricas de respiradores. Pouco tempo depois, tínhamos 10. A indústria respondeu aos apelos do Ministério da Saúde e colocou, à disposição da população, equipamentos de qualidade para que as equipes assistenciais pudessem fazer o seu trabalho. E agora? A pandemia passou e ficou evidente a necessidade da consolidação da indústria. Nossa pauta para esse mandato é justamente essa. Não podemos mais ter dependências externas”, finalizou.

A sessão solene foi transmitida pela Internet e segue disponível AQUI.

Veja também