Ministro das Relações Exteriores participa de reunião na sede da Fiesp

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, participou nesta segunda-feira (20) de reunião na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) que contou com a presença do presidente da entidade, Paulo Skaf e de vários representantes de entidades e associações, entre eles, o superintendente da ABIMO, Paulo Henrique Fraccaro.

Serra propôs a criação de um canal direto de comunicação entre o Itamaraty e a Federação por meio do Conselho Superior de Comércio Exterior da entidade (Coscex), que será presidido pelo embaixador José Rubens Barbosa.

Serra e Skaf também assinaram um memorando de parceria para cooperação na promoção comercial e negociação de acordos, buscando maximizar os recursos que possam ser usados para fortalecer a economia brasileira.

Durante a reunião foi ressaltada a nova estrutura do Itamaraty, com a mudança na Camex (Câmara de Comércio Exterior). “A Camex estava sem poder de decisão”, afirmou Skaf. Agora, será presidida por Michel Temer, com José Serra na vice-presidência. A Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) acertadamente foi para o MRE”, lembrou Skaf.

Serra disse que quer introduzir a dimensão da competitividade e do custo de produção no país nas discussões de comércio exterior. “Infraestrutura e tributação são questões críticas”, disse o ministro. Em relação ao custo Brasil, Serra disse que aprendeu a dimensioná-lo na Fiesp e, afirmou que na média ponderada entre os parceiros comerciais, o custo Brasil representa um sobrepreço de 25%. “Ou nos centramos nisso, ou o Brasil não tem jeito”.

O embaixador Rubens Barbosa destacou que ao incorporar esse aspecto no Itamaraty, Serra recoloca o órgão em papel central na discussão de políticas macroeconômicas. “Há anos a Fiesp acentua a necessidade de coordenar MDIC e Itamaraty na promoção das exportações”, lembrou.

Para Paulo Skaf, “da porta para dentro as empresas brasileiras são bem competitivas”. Ele explicou ainda que há um problema conjuntural, representado pelo câmbio, que estava sobrevalorizado, e que há outras questões, como infraestrutura, juros, crédito, impostos e outros, que compõem o custo Brasil. “Ter na Camex uma visão que discuta a competitividade brasileira é certíssima”, afirmou.

Serra defendeu concessões para a infraestrutura, com a participação do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) e a atenção à tributação. Também afirmou que o Reintegra (Regime especial de reintegração de valores tributários para empresas exportadoras) precisa ser rediscutido. “Temos que rever o Reintegra na Camex, junto com o empresariado”, disse. “Não deve ser compensação cambial, mas mecanismo de longo prazo”, afirmou.

Na visão da ABIMO, a recente mudança da Apex-Brasil para o comando do MRE é muito positiva, considerando que haverá um maior alinhamento entre as políticas de governo e acordos em prol da exportação. “A Apex-Brasil vem há anos fazendo um trabalho de promoção comercial de empresas brasileiras para atuação no cenário internacional muito importante, mas que carecia de apoio de outros órgãos e agências do governo”, comenta o superintendente da entidade, Paulo Henrique Fraccaro.

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