Em ascensão, mercado de implantes carece de instrumentos regulatórios

Tema foi debatido durante palestra sobre segurança e qualidade de implantes odontológicos realizada na manhã desta quinta-feira no estande da ABIMO no CIOSP

Tratando de segurança do paciente e qualidade de implantes odontológicos, a palestra realizada na manhã desta quinta-feira, 1º, no estande da ABIMO no CIOSP 2018 contou com a apresentação do professor e pesquisador Claudio Fernandes, que é consultor do setor de odontologia da associação e atua como chefe da Delegação Brasileira na ISO/TC106 – Odontologia; e Carlos Nelson Elias, do IME (Instituto Militar de Engenharia). O debate enfatizou a importância da definição de critérios de análises de validação de implantes, um sistema inexistente no mundo.

Ao contrário do que muitos podem pensar, a criação de normas não tem, como objetivo, prejudicar a produção brasileira, mas sim ampliar a qualidade das empresas que, tendo parâmetros a seguir, poderão investir em suas linhas de produtos para torná-los melhores e mais competitivos.

“Não temos normas para afirmar se os implantes são bons ou ruins, se são limpos, se atendem às necessidades e quanto de impureza é tolerável. Estamos há cerca de dois ou três anos conversando sobre isso, é chegada a hora de implementarmos essa ideia”, comentou Elias que relembrou que já foram realizadas reuniões com o objetivo de avaliar tanto a qualidade quanto a segurança da produção nacional.

A cultura também tem impacto nessa observação. Por tradição, o brasileiro aponta o produto importado sempre como um produto de qualidade superior, sendo que nem sempre essa é a realidade. Na área odontológica, por exemplo, o Brasil tem uma produção industrial muito reconhecida inclusive em mercados internacionais. “Os implantes brasileiros têm qualidade e processos de fabricação muito bons. As empresas investiram muito e aprenderam a fazer. Implantes nacionais apresentam formas, qualidade de usinagem e tratamento de superfície semelhantes aos importados. Dizer que o importado é melhor não é uma informação verdadeira.”, destacou Elias que mostrou processos de fabricação, detalhamentos morfológicos e comparativos entre produtos nacionais e importados.

Evolução da odontologia – Durante a palestra também foi enfatizada a acelerada evolução brasileira no campo da odontologia. “Há apenas 18 anos eram vendidos implantes que, hoje, saíram do mercado por conta de estudos e pesquisas que demonstraram que eles não tinham qualidade suficiente. A odontologia evolui de três a quatro vezes mais rápido do que a ortopedia, por exemplo”, comentou Elias sobre as diversas técnicas inovadoras que surgem ano a ano neste setor da saúde.

Como ilustração dessa capacidade evolutiva, foi apresentada uma mudança interessante: antigamente os implantes eram peças lisas, como pregos. Hoje, já foi comprovado que o sistema de parafuso é mais eficiente por conta da distribuição da força. “A geometria da peça é muito importante. A força da mastigação varia de pessoa para pessoa, mas, geralmente, somos capazes de morder mais forte do que somos capazes de chutar. Além disso, o número de toques mandibulares por dia chega a ser maior do que três mil. Para que uma peça possa resistir, ela precisa ser capaz de suportar esse esforço”, complementou Fernandes demonstrando como é indispensável observar o todo, o conjunto, na hora de traçar a estratégia da aplicação de implantes odontológicos.

Mercado – O setor de implantes dentários está em ascensão. Segundo dados apresentados pelo professor Fernandes, a expectativa de crescimento do setor mundial passa de US$ 3,2 bilhões em 2010 a US$ 15,9 bilhões em 2025. Isso sem contar que apenas 3% da população sem dentes recebeu implantes dentários. “Dessa forma, temos 97% de desdentados precisando de procedimentos”, comentou Fernandes.

Essa expansão responde ao aumento significativo da expectativa de vida somado à consciência mundial de prover melhor qualidade de vida às populações. “Esse aumento de demanda gera oportunidade para a classe odontológica e a ausência de instrumentos regulatórios gera risco”, alertou Fernandes reforçando a importância do trabalho em conjunto com a ABIMO para a criação dessas normas.

Dentre os desafios que o mercado enfrenta para atender a essa demanda criada, estão a necessidade de desenvolvimento de tecnologias acessíveis para serem duplicadas, mercados com baixo poder aquisitivo, e dentistas com menor formação clínica.

O estande da ABIMO oferece palestras com especialistas ao longo de todo o CIOSP 2018. Além de qualidade e segurança de implantes, também estão sendo apresentados outros temas relevantes como Pirataria na Odontologia e Novas Tecnologias desenvolvidas no setor.

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