Indústria brasileira de dispositivos médicos fecha janeiro de 2022 com crescimento de 17,45% no volume de exportações

Fabricantes nacionais driblam entraves e consolidam mais de US$ 50 milhões em vendas ao mercado externo

Mesmo enfrentando cenários de instabilidade política e econômica, além de entraves como a Lei n° 13.993/2020, que restringe a exportação de 19 produtos médico-hospitalares e de higiene, a indústria brasileira de dispositivos médicos mostra sua versatilidade e registra 17,45% de crescimento no volume de exportações em janeiro de 2022 no comparativo com o mesmo período do ano anterior.

Ao longo dos 31 primeiros dias do ano, essas fabricantes nacionais exportaram um total de US$ 52,06 milhões. “O crescimento que observamos no período consolida uma sequência de bons resultados para essa indústria que também ampliou suas exportações em 5,66% no último trimestre de 2021”, comenta José Fernando Dantas, analista de Acesso a Mercados da ABIMO.

Diversidade de produtos e de destinos

Como forma de driblar os efeitos da Lei nº 13.993/2020, que atende aos princípios constitucionais de preservação da saúde nacional, possibilitando a exportação de alguns dispositivos médicos apenas nos casos em que a demanda nacional esteja plenamente atendida, essas companhias apostam na diversificação de seus portfólios.

Tanto que desde o início da pandemia de covid-19, sete produtos do setor de dispositivos médicos que não eram comercializados internacionalmente pelo Brasil há pelo menos quatro anos, voltaram a ser exportados e renderam, entre 2021 e 2022, aproximadamente US$ 370 mil ao país.

Esses dispositivos, prioritariamente dos segmentos médico-hospitalar e de reabilitação, são microscópios binoculares para cirurgia oftalmológica, microscópios para fotomicrografia, audiômetros, próteses articulares mioletricas, aparelhos para tratamento bucal que operem a laser, chapas para raio-x e aparelhos de raio-x de diagnóstico para angiografia.

A retomada da exportação desses itens contribuiu para o resultado positivo da internacionalização do setor, sendo o segmento de reabilitação o que apresentou aumento mais expressivo em janeiro de 2022, crescendo 44,24%. Na sequência, estão as verticais médico-hospitalar (18,34%), laboratório (7,23%) e odontologia (5,22%).

Entre os principais destinos dos produtos brasileiros estão países da América e da Europa. Somente os Estados Unidos consumiram 24,26% do total de dispositivos médicos exportados pelo Brasil em janeiro de 2022, assumindo a posição de principal mercado consumidor dos nossos produtos.

Porém, outras nações como Argentina, Bélgica, Chile, Colômbia e México também têm grande representatividade no ranking de compradores da indústria brasileira de saúde, que já soma mais de 110 países.

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