Indústria 4.0: workshop debate caminho sem volta da inovação na saúde

Conhecida como quarta revolução industrial, a indústria 4.0 é um conceito proposto recentemente e que engloba as principais inovações tecnológicas dos campos de automação, controle e tecnologia da informação aplicadas aos processos de manufatura.

O termo surgiu na Alemanha, na Feira de Hannover em 2011, e propõe eliminar os limites entre o mundo digital, o físico e o biológico. Assim, o mundo físico ganha acesso ao poder do digital possibilitando que sistemas cyber-físicos, internet das coisas, Big Data e internet dos serviços tornem cada vez mais eficientes, autônomos e customizáveis os processos de produção.

Todos os participantes do Workshop Indústria 4.0, evento realizado neste dia 27 de outubro, pela ABIMO e pela USP (Universidade de São Paulo), foram categóricos em dizer que a medicina está recomeçando pelo acesso às novas tecnologias na área da saúde e que o Brasil está inserido nesse processo irreversível, ainda que de maneira incipiente.

O evento, em São Paulo, recebeu Rodrigo Silvestre, diretor do Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (DECIIS/SCTIE/MS).

“Dentro das dez propostas do Ministério (da Saúde), a primeira é exatamente a informação, a conectividade do sistema. Para o MS e para a minha área, tratar desse sistema como um sistema cyber físico é o nosso desafio de no curto prazo vencer as atividades de implementação de uma política industrial, mas em médio prazo pensar em um sistema de saúde que vai sair de uma fase indústria para uma indústria de serviços de alta tecnologia”, disse.

Silvestre frisou que o setor de equipamentos para a saúde não é mais visto em segundo plano. “Sistemas de supervisão de equipamentos que estão em ambientes hospitalares hoje são uma grande oportunidade para explorar esse tema”, adiantou, frisando que um dos grandes custos que o SUS (Sistema Único de Saúde) tem hoje está associado à manutenção de equipamentos. “O Brasil precisa se posicionar e descobrir qual é a sua vocação. Temos competência para isso”, finalizou.

Em seguida, Bruno de Carvalho Duarte, coordenador geral do Complexo Químico e da Saúde e diretor do Departamento de Investimentos e Complexos Tecnológicos da Secretaria de Desenvolvimento e Competitividade Industrial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (DEICT/ SDCI/MDIC) ratificou que o tema é importante e que existe um diagnóstico de baixa produtividade na área de novas tecnologias da indústria, porém, esse assunto já faz parte não apenas na agenda do empresário, como também da agenda de governo. “Temos que otimizar recursos, concentrar esforços e interagir com os atores dessa cadeia, e o MDCI não está alheio a essa discussão”, afirmou. Segundo ele, a visão tradicional de política do setor tem que ser respeitada, mas é preciso atuar também no que ele chamou de nichos transversais.

Duarte falou a respeito do Programa Brasil Mais Produtivo, uma realização do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil) e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), com a parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “O eixo de digitalização e conectividade no programa está em fase piloto”, adiantou. O objetivo é aumentar em pelo menos 20% a produtividade das pequenas e médias indústrias participantes do programa.

Ele também citou a última reunião do Grupo Executivo do Complexo Industrial da Saúde (GECIS), que anunciou a nova Política de Plataformas Inteligentes de Tecnologia em Saúde, que garantiu investimentos de R$ 6,4 bilhões para incentivar a produção nacional de medicamentos, insumos e tecnologias em saúde, incluindo o setor de produtos para saúde.

Em seguida, o Workshop recebeu a palestra do Prof. Dr. Eduardo Mário Dias, Professor Titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e representante titular do Gaesi/PEA/EPUSP, que frisou a necessidade das Universidades ajudarem na discussão dos temas ligados à tecnologias na área da saúde e que as discussões devem ter resultados práticos na sociedade. Na sequência, ele deu a palavra ao Dr. Elcio Brito, Pós doutorando do GAESI/USP, um grupo de pesquisa da Poli/USP que promove contribuições relevantes para uma sociedade mais eficiente. Em sua apresentação, Brito abordou como a Indústria 4.0 pode afetar a saúde e como aproveitar a tecnologia dessa quarta revolução para criar um “Hospital 4.0”.

“Máquinas que usam tecnologias 4.0 antecipam a necessidade de manutenção, materiais que usam essas tecnologias viabilizam o inventário automático, mão de obra que usa tecnologias da quarta revolução industrial eliminam tarefas que não agregam valor para o paciente”, exemplificou.

Em seguida, Bruno Vath Zarpellon, diretor do Departamento de Inovação e Tecnologia da Câmara do Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK) falou da experiência e do sistema alemão de inovação, bem como dos investimentos do país nesse tema e da Indústria 4.0 em outros países, como Estados Unidos, Inglaterra, Japão, China e Coreia.

INDÚSTRIA CONECTADA

Três empresas conectadas apresentaram seus cases durante o Workshop. Aldenor Falcão Martins, CEO da Signove, empresa do grupo Lifemed, falou da tecnologia da nova bomba de infusão da empresa, que se conecta do leito do paciente a uma Central de Monitoramento com acesso remoto. “Nosso equipamento é capaz de fazer, inclusive, um auto diagnóstico, o que é uma das premissas da Indústria 4.0”, ressaltou.

Aldenor apresentou ainda a plataforma de monitoramento remoto em nuvem da Lifemed, que faz monitoramento clínico remoto e contínuo de doentes crônicos para Homecare e Agentes de Saúde.

Luiz Calistro Balestrassi contou suas experiências com pesquisa e desenvolvimento de sistemas e soluções para neurofisiologia clínica na Neurotec, abordando desde a evolução da eletroencefalografia analógica, em 1984, aos sistemas atuais de aplicação na neurofisiologia.  “Já nesse período, nosso intuito foi de desenvolver um sistema no Brasil que fizesse EEG quantitativo e topográfico, bem como o mapeamento cerebral”, celebrou. “Preencheríamos um espaço importante na função cerebral que era preenchido por um sistema analógico”.

Leonardo Severo Melo, diretor executivo da Diagnext, apresentou a empresa e falou sobre o primeiro provedor de Teleradiologia brasileira. “Desenvolvemos nossa própria tecnologia a fim de proporcionar que pessoas residentes em locais distantes e que sofrem com comunicação precária, tenham atendimento radiológico de qualidade, com rapidez, confiança e agilidade”, pontuou. O diretor também citou a rede de mamógrafos que está conectada por um sistema de comunicação satelital a uma central de laudos que funciona em um hospital de Manaus, onde uma equipe de especialistas analisa as imagens geradas nos municípios e emite os laudos, que retornam por e-mail para o médico, nas unidades de saúde do interior. “A ferramenta de transmissão de dados, que dá suporte ao modelo, foi implantada e vem sendo administrada pela Secretaria de Saúde em conjunto com a Diagnext.com”, explicou.

Ao término das apresentações, o CEO da Lauris, Donizetti Louro mediou as perguntas da plateia, os debates e finalizou: “É muito importante assistirmos homens de visão. Essa interação entre academia, indústria e nós, os consultes, é muito importante”, avaliou.  Para Louro, mesmo aqueles que são reticentes frente às tecnologias já começam a se sensibilizar com suas aplicações.

A ABIMO estuda criar um Grupo de Trabalho sobre a Indústria 4.0.

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