HOSPITALAR 2015

ABIMO participa de workshop da Frost & Sullivan durante a HOSPITALAR
Durante o dia 20 de maio, a consultoria Frost & Sullivan promoveu um workshop durante a Feira HOSPITALAR que abordou o momento econômico vivido no país. Desde o início de 2014 o mercado brasileiro vem apresentando os primeiros sinais de retração econômica. Sinais estes, que já no início de 2015, foram apontados por especialistas como os primeiros passos de uma jornada a caminho da recessão.

Em sua apresentação, a gerente de pesquisas em saúde da consultoria Frost & Sullivan, Rita Ragazi, disse que nos últimos cinco anos, o segmento de saúde no País vem crescendo cerca de 10% ao ano, frente a um crescimento médio do PIB de 2,5%.

As expectativas para todos os players do setor, sejam eles, hospitais, laboratórios farmacêuticos e até mesmo a indústria de equipamentos são de impactos menores. Ou seja, um crescimento é esperado, principalmente por parte da indústria local. Esse fator ocorre devido à desvalorização do real frente ao dólar, gerando maior competitividade para as empresas nacionais, apesar do cenário pouco favorável apresentado ao setor até o final de 2015. “Para 2016, a situação deve mudar e o volume de negócios na indústria deve começar a reaquecer, preparando boas perspectivas para 2017”, apresentou a executiva da Frost & Sullivan.

Os ajustes feitos pelo governo impactam diretamente no setor e os principais fatores são a disponibilidade de crédito, a alta taxa de juros e o endividamento público.

Outro fator que ajudará o crescimento do setor, mesmo que menor, é a demanda reprimida por serviços de saúde, aponta Rita. “No primeiro semestre já podemos ver um resultado muito positivo apresentado pelo setor farmacêutico, que atingiu um crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano passado.”

O presidente da ABIMO, Franco Pallamolla, disse em sua fala durante o evento que acredita em um crescimento para a indústria de equipamentos médicos e odontológicos acima da inflação para esse ano. No entanto, ele alerta que a atual política fiscal prejudica muito o desenvolvimento local e reduz a competitividade do mercado frente a concorrentes internacionais.

“Temos uma matriz tributária esquizofrênica no Brasil, principalmente na indústria de saúde. O atual modelo incentiva as empresas a importar materiais e equipamentos, ela acaba punindo quem produz aqui”, ressalta Pallamolla.

O presidente da ABIMO explicou que, se uma entidade filantrópica ou pública optar por adquirir um bem localmente, ela será penalizada com os custos tributários, como se houvesse uma regra do tipo: “se essa indústria que aqui produz, que pague por isso”. “Estamos falando de alíquotas médias que podem chegar até 25% de diferença de custo, ocasionando uma baixa competitividade.”

Por esse motivo, a questão da desoneração que está na pauta é tão somente uma isonomia, explica Pallamolla ao falar sobre a igualdade de direitos tributários e a exclusão do setor de saúde da lista de setores que foram contemplados com benefícios fiscais: “Nós pedimos e buscamos uma questão isonômica. Conseguimos uma lei que não entrou em vigor, e não acreditamos que consigamos essa desoneração, dentro do atual cenário econômico, no decorrer de 2015.”

A partir de 2016, iniciativas de entidades do setor de saúde, em conjunto com o governo, indicam que haverá uma redução no PIS e COFINS não apenas em equipamentos, mas em todos os produtos do arcabouço regulatório da Anvisa destinados a hospitais para a comercialização para instituições públicas e filantrópicas. “Com isso, acreditamos que haverá um estímulo ao investimento internacional na produção de equipamentos e insumos no Brasil”, finalizou Pallamolla.

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