Equipamento médico de respiração para casos graves é desenvolvido pela empresa Braile e o Instituto ELDORADO

A tecnologia será utilizada como suporte ao tratamento mecânico, oferecendo ao paciente um “pulmão auxiliar”, através de um equipamento que remove o sangue das veias, oxigena e depois devolve ao corpo por meio de uma artéria ou uma veia

 

O Instituto ELDORADO (Unidade EMBRAPII – Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) e a empresa Braile Biomédica estão desenvolvendo um equipamento para auxiliar no tratamento dos pacientes que sofrem de insuficiência respiratória aguda, condição causada em casos graves do novo coronavírus.

A Braile Biomédica produzirá a mecânica e os insumos descartáveis utilizados no equipamento e o Instituto ELDORADO será responsável pela coordenação do desenvolvimento dos componentes eletrônicos e computacionais.

“Nós já tínhamos um projeto em desenvolvimento com a EMBRAPII e 20 dias atrás começamos a receber solicitações de vários países por um produto chamado ECMO, algo que já tínhamos intenção de desenvolver, mas que até então não era prioritário. No entanto, nesse mesmo período começamos a receber questionamentos da Alemanha, Mongólia, Hong Kong e Geórgia em busca desse equipamento, ou seja, vários países que já estavam em estados mais avançados do que o Brasil em relação à COVID-19”, relata a presidente da empresa Braile Biomédica, Patrícia Braile.

Tecnologia em curso

O equipamento buscado pelos países que contataram a Braile é o ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea, em inglês), que é uma forma de oxigenação extracorporal, que oxigena e remove o gás carbônico (CO2) diretamente do sangue.

A tecnologia será utilizada como suporte ao tratamento mecânico, oferecendo ao paciente um “pulmão auxiliar”, que funciona por meio de um equipamento composto por um circuito padrão, no qual o sangue das veias é removido do paciente, bombeado até um oxigenador e depois devolvido ao corpo por meio de uma artéria ou uma veia.

Essa tecnologia que é pioneira no Brasil e trará maior eficiência, aprimorando os procedimentos médicos a custos mais baixos, foi possível graças ao financiamento de projetos de PD&I, com recursos não reembolsáveis, relacionados ao combate da COVID-19.

O modelo tradicional da EMBRAPII, que arca com até 1/3 do valor dos projetos, foi flexibilizado e partir de agora o estímulo será maior e avaliado de acordo com a necessidade de cada proposta.

“A conquista em colocar esse novo produto no mercado vem coroar o nosso propósito de poder dar para os brasileiros aquilo que eles precisam nesse momento de crise e esse é o espírito da nossa indústria nacional, fazer para o cidadão aquilo que ele carece no momento em que ele mais precisa, sem ficar dependendo da importação ou da boa vontade de outros países”, diz a presidente da Braile Biomédica.

Tradição

Fundada em 1977 pelo cirurgião cardiovascular, o professor Dr. Domingo Braile, a empresa Braile Biomédica surgiu da necessidade em viabilizar a cirurgia cardíaca para toda a população e atua como fabricante de produtos médico-cirúrgico-hospitalares, desenvolve e fabrica produtos das linhas Cardiovascular, Biológica, Soluções, Eletromédicos, Endovascular, Transcatéter e Oncologia.

Recentemente, a Braile Biomédica foi considera pelo Instituto Capitalismo Consciente Brasil uma das 22 empresas mais humanizadas do País. “A nossa missão é levar ao maior número de pessoas produtos de altíssima qualidade, com um preço justo para que elas possam ser tratadas. Cuidar das pessoas de forma verdadeira”, diz a presidente da Braile Biomédica, Patrícia Braile.

Ela acrescenta que a produção do ECMO, enquanto tecnologia que irá ajudar a salvar tantas vidas de uma forma pioneira no Brasil, é uma forma de manter vivo o legado do seu pai, fundador da empresa.

“Meu pai, que infelizmente faleceu no dia 22 de março, sempre foi um entusiasta da inovação. Em seus últimos dias, quando nós falamos sobre o projeto em parceria com a EMBRAPII, ele foi imediatamente a favor da realização, sempre muito animado em fazer qualquer projeto que fosse para o bem da população brasileira”, lembra.

 

 

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