Em feira na China, empresas brasileiras apostam em US$ 1 milhão em novos negócios nos próximos 12 meses

Sino-Dental em Pequim, na China, contou pela primeira vez com participação do Pavilhão brasileiro

Com cinco empresas da indústria nacional, o pavilhão brasileiro presente pela primeira vez na Sino-Dental, uma das principais feiras do setor odontológico da China, retorna ao Brasil com a expectativa em alta. Realizado de 9 a 12 de junho em Pequim, o evento resultou na geração de 300 contatos e no fechamento inicial de US$ 70 mil em negócios. Após os quatro dias de feira, a expectativa é que se criem novas oportunidades de negócios que giram em torno de US$ 1 milhão nos próximos doze meses.

Sendo a China um dos mercados-alvo das companhias que integram o Projeto BHD (Brazilian Health Devices), executado pela ABIMO em parceria com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), participar de um amplo evento em território chinês representa boas oportunidades de exploração do mercado local, que depende da importação de produtos para suprir as necessidades da população.

“A nossa participação na Sino-Dental é importante pois a China vem sendo um grande mercado para o Brasil, principalmente no setor odontológico. Com a indústria nacional madura para adentrar este cenário, enquanto algumas empresas buscam distribuidores chineses outras que já estão com as relações comerciais mais estabilizadas com o país asiático, visam estabelecer vínculos com novos distribuidores para investir em outras regiões da Ásia”, comenta Laísa França, coordenadora de promoção comercial da ABIMO. Para David Gouveia, da Biodinâmica, o país é um dos que despertam mais interesse da companhia. “Participar desta feira é importante pois o mercado asiático é um dos nossos focos”, declara ele que é apoiado por Isabel Piccin, da Bioart: “não podemos parar de participar da Sino-Dental, pois o mercado chinês, que está muito aquecido, está cada vez mais exigente com o produto que está comprando”.

A Sino-Dental recebe mais de 700 expositores do setor odontológico, representantes de mais de 30 países. São quatro dias de evento que demonstram tecnologias e equipamentos avançados para o segmento, além de promover a integração entre os diversos players e apresentar ao mundo a reputação que a China e toda a região da Ásia tem na área odontológica.

Peculiaridades do mercado chinês – Buscando importações com excelente custo-benefício para suprir sua carência de produtos odontológicos, a China desperta interesse da indústria brasileira. Com uma população que deve atingir 1,4 bilhão até 2030, tem uma classe média que ultrapassa 400 milhões de habitantes e está interessada em pagar por tratamentos odontológicos particulares.

O pavilhão brasileiro na Sino-Dental também foi criado com o objetivo estratégico de seguir rumo a um maior equilíbrio da balança comercial. Segundo dados levantados pelo Projeto BHD que consolidam as exportações e importações totais do segmento em 2016, a China recebeu US$ 28.781.160 em produtos brasileiros. Paralelamente a isso, exportou mais de US$ 354 milhões para o nosso país. Dentre os produtos exportados pelas empresas do BHD para a China estão bisturis elétricos, brocas para odontologia, artigos de laboratório, instrumentos e aparelhos para cirurgia e para odontologia em geral e artigos e aparelhos de prótese dentária.

As vantagens vislumbradas no território chinês também são confrontadas com desafios que fundamentam o déficit da balança comercial. O idioma é um dos principais, visto que na região a fluência na língua inglesa não é tão comum como em outras nações. Além da dificuldade do diálogo, a China tem como uma de suas características o esforço constante em proteger sua indústria. Para isso, cria processos dificultando a entrada de produtos estrangeiros, como comenta Clara Porto, gerente de projetos e marketing internacional da ABIMO. “O processo regulatório em si é uma barreira técnica e comercial. O custo para registro do produto no país é extremamente alto, além de implicar em um processo demorado”, comenta quanto o registro sanitário de produtos que varia de acordo com a classificação de risco do mesmo.

Outro gargalo está na autoridade reguladora chinesa, que obriga que todos os ensaios clínicos sejam realizados em território chinês, aumentando o custo do processo e também o tempo para liberação. Considerando esta dificuldade em acessar o mercado, quem ultrapassa esta barreira encontra um mar de oportunidades. “A empresa que tem a possibilidade de fazer este investimento inicial mergulha no gigantesco mercado chinês que, culturalmente, aceita bem os produtos brasileiros”, enfatiza Clara.

Contribuindo enfaticamente com o acesso da indústria nacional na China, a ABIMO reconhece que um dos passos primordiais para ampliar a visibilidade e a comercialização de produtos brasileiros na Ásia é reduzir esses entraves de registro por meio de uma aproximação institucional para assuntos regulatórios. Como um dos caminhos para vencer esse desafio está a participação em eventos no território chinês, ação concretizada pelo grupo de empresas nacionais que viajaram o mundo para expor suas tecnologias e soluções durante a Sino-Dental.

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