Diretor institucional da ABIMO participou do Fórum HCB

Diretor institucional da ABIMO participou do Fórum HCB, e alertou sobre a importância da mudança de paradigmas nas políticas voltadas à saúde

O diretor institucional da ABIMO, Márcio Bosio, participou no último sábado (16) do 9º Fórum Healthcare Business (Fórum HCB). O importante evento de gestores da Saúde do país, foi realizado em Natal (RN), com transmissão online, e teve como um dos temas a lei de inovação tecnológica no Brasil e seus desafios.

“O Fórum HCB permitiu que a ABIMO pudesse debater com os principais gestores hospitalares e pesquisadores da saúde, a importância de se ter uma indústria forte para apoiar os profissionais de saúde que atuam no Brasil. Isso traz segurança ao sistema de saúde, seja público ou privado, e permite que se crie todo um ecossistema voltado para a inovação e o desenvolvimento de novos produtos. Podemos ajudar os nossos profissionais de saúde, com equipamentos e materiais cada vez mais adequados,  incorporar tecnologias mais modernas e adequadas para atendimento do paciente”, avaliou Bosio.

Para abordar esses assuntos, Bosio esteve em painel moderado por Ricardo Valentim (diretor executivo do LAIS/UFRN), ao lado de Leonardo Lima (biomédico, doutor em imunologia e pesquisador do LAIS) e de Carlos Alberto Pereira de Oliveira (coordenador do projeto “Sífilis Não”, pesquisador do LAIS/UFRN, vice-diretor do IFHT/UERJ e assessor externo da OMS para a estratégia de aprendizagem).

Os debatedores foram unânimes em traçar um cenário de preocupação com o defasado investimento no setor de pesquisas e tecnologias praticados no Brasil, com leis antigas que não estimulam o desenvolvimento nacional, encarecem produtos e atrasam os avanços necessários para que seja oferecido um tratamento mais qualificado por profissionais de saúde à ponta da cadeia, que são os pacientes.

“Hoje órgãos públicos e filantrópicos só tem a imunidade constitucional reconhecida se adquirem produtos importados, se comprar o mesmo dispositivo fabricado no País pagará todos os tributos. Este absurdo tributário penaliza principalmente os Municípios e pequenos hospitais, além de causar um enorme prejuízo à indústria local.”, explica Bosio.

Caminho inverso
Assim como Bosio, Ricardo Valentim e Leonardo Lima relembraram que o Brasil forma pesquisadores e engenheiros que, por falta de estímulos e condições adequadas, acabam saindo do país. No exterior, desenvolvem conhecimento e patentes que acabam sendo importadas pelo Brasil a preços elevados tempos depois.

“Essa é a distorção que a lei brasileira cria. O déficit do PIB brasileiro por conta de royalties, sendo que tudo poderia ser produzido no Brasil há décadas. Não é só um governo. São diversas gerações que não dão a devida importância ao problema. Os cérebros estão aqui. Precisamos é de uma pista para que essas ferraris e lamborghinis possam correr”, disse Valentim.

Com o mesmo raciocínio, Lima lembrou que nos Estados Unidos os brasileiros trocam experiências com universidades locais e têm acesso a equipamentos que os ajudam a desenvolver pesquisas e produtos com maior celeridade. Como exemplo, citou que uma mesma solicitação que é atendida em 20 dias pelos norte-americanos demoraria até um ano no território nacional.

“A burocracia do Brasil atrasa e torna a questão desafiadora. Aqui fica parecendo que você está lutando contra o paciente, sem mecanismo para atuar como se deve”, diz também em referência à discrepância de oportunidades entre os estados brasileiros.

Como solucionar o problema?
Questionado sobre como a indústria se encaixa na proposição de soluções, Bosio disse ser preciso atuar junto aos governantes, pois é preciso alterar este o cenário.

“A indústria da saúde contribui para esse ecossistema de salvar vidas. Então, temos que começar a discutir com o congresso e dizer que o mesmo dinheiro que gera emprego lá fora pode gerar aqui. Esse é um papel que podemos contribuir com a universidade, que tem condição de gerar a melhor tecnologia de saúde no Brasil. E produzir aqui”.

“É uma gestão de cálculo. Ou eu gero mil empregos aqui no Brasil, ou eu gero lá fora. A gente (indústria) vai atender a demanda, mas a decisão de onde gerar um novo emprego ou um novo produto não é da indústria. Vamos gerar onde tiver condições de gerar o melhor equipamento possível ao menor custo”, finalizou o diretor institucional da ABIMO.

Elogios ao SUS
Citado diversas vezes pelos debatedores, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi bastante elogiado, seja pela abrangência ou eficácia diante de um cenário pouco favorável que enfrenta no Brasil.

“Temos um sistema de saúde que não é o melhor do mundo, mas funciona. É um sistema que atende literalmente do Oiapoque ao Chuí. E resolveu o nosso problema”, disse Bosio, citando o exemplo da escalada da produção de ventiladores que foram utilizados para sanar a demanda durante a pandemia.

Em sua fala, Carlos Alberto Pereira de Oliveira também elogiou o sistema de saúde nacional, apenas com a ressalva de que o SUS poderia ser usado para a produção e difusão de conhecimento na área médica, e não se limitar a ser eficaz no serviço oferecido à população.

9º FÓRUM HEALTHCARE BUSINES (FÓRUM HCB)
TEMA
A lei de inovação tecnológica no Brasil e seus desafios

MODERADOR
Ricardo Valentim – Diretor executivo do LAIS/UFRN

DEBATEDORES

Leonardo Lima – Biomédico, doutor em Imunologia e pesquisador do LAIS
Carlos Alberto Pereira de Oliveira – Coordenador do Projeto “Sífilis Não”, pesquisador do LAIS/UFRN, Vice-diretor do IFHT/UERJ e Assessor Externo da OMS para a Estratégia de Aprendizagem
Márcio Bósio – Diretor Institucional da ABIMO

Link da transmissão ao vivo
https://youtu.be/d2Dz5t5CRu0

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