ABIMO e NUTES promovem webinar para debater os desafios da inovação no setor de dispositivos médicos

Superintendente da ABIMO defendeu uma política de Estado para o setor e a importância da busca por institutos tecnológicos como um caminho sem volta para a inovação e futuro


A Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO) promoveu nesta terça-feira, 14 de setembro, o seminário digital “Novos desafios para inovação no setor de dispositivos médicos — Tendências e oportunidades”. O evento foi realizado junto com o Núcleo de Tecnologias Estratégicas em Saúde (NUTES), pelo Youtube da entidade.

O webinar contou com as palestras de Eduardo Jorge V. Oliveira, coordenador técnico do Núcleo de Tecnologias Estratégicas em Saúde — NUTES/UEPB; Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da ABIMO; Leonardo Reichow, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Lifemed S.A; e Rubens Massaro, membro do Conselho Consultivo e Presidente do Comitê de Inovações da Fanem. A mediação do evento foi feita por Marcio Bósio, diretor Institucional da ABIMO. Na abertura do evento, Paulo Henrique Fraccaro falou sobre a importância do tema. “O objetivo deste webinar é mostrar que a inovação é crucial para a sobrevivência e futuro de todas as empresas, principalmente as pequenas e médias.”
Coordenador técnico da NUTES, Eduardo Jorge abriu o ciclo de palestras. Ele entende que é preciso ter um olhar para o setor de dispositivos médicos que vai além da abordagem econômica: é necessária uma nova perspectiva social. “A chegada da Covid-19 ao Brasil foi fundamental para observarmos como usamos as novas tecnologias no combate à pandemia”, ressaltou.

Ao longo do evento, os palestrantes concordaram que, diante dos desafios pandêmicos, o Brasil foi capaz de promover mudanças e atender as demandas da sociedade de modo satisfatório. Eduardo Jorge citou, como exemplo, a produção de ventiladores pulmonares nas universidades, assim como outras inovações. Mas há um consenso entre os especialistas de que é necessário fazer mais. Em sua fala, Massaro enfatizou que “não é possível uma empresa se desenvolver apenas com seus próprios recursos tecnológicos”.
Os especialistas defenderam estímulos para o crescimento da indústria local. O mercado global de saúde deve crescer US$ 12 trilhões em 2021, e o Brasil precisa estar posicionado para garantir “uma fatia” deste bolo. Para Reichow, “o país carece de uma estratégia de Estado para o setor hospitalar”. Ele alertou que estamos passando por um processo de desindustrialização, e há o risco de o mercado ser abastecido por produtos importados em um futuro próximo. “O Brasil necessita de medidas enérgicas, é preciso reduzir os custos de logística e incentivar a indústria”, afirmou.

A desindustrialização brasileira foi um dos temas, citado por todos os palestrantes, que causa maior preocupação ante aos desafios da inovação e geração de oportunidades. Eduardo Jorge entende que é necessário aportes do governo federal, assim como uma estratégia que coloque as universidades e as startups dentro do processo de inovação. Massaro, em sua fala, complementou este conceito. Para ele, “as políticas do Brasil precisam ter essa visão de longo prazo”.

O Presidente do Comitê de Inovações da Fanem ainda disse que o Brasil é um país forte, com 210 milhões de habitantes, dono de um potencial que poderia facilitar o desenvolvimento de tecnologias. Para ele, temos à disposição um mercado potencial para o setor de dispositivos médicos, mas ele está ficando menos atrativo em função da falta de investimentos. O especialista defendeu medidas que foram tomadas em países como a Alemanha e o Japão, que adotaram iniciativas para proteger seu parque industrial, sobretudo no setor de dispositivos médicos.

Tanto Massaro quanto Reichow comentaram sobre a importância de as empresas firmarem parcerias com institutos de pesquisa, como o NUTES, para promover a proteção da indústria nacional. Fraccaro, ao concluir suas considerações, afirmou: “a nossa missão hoje, com este webinar, foi alcançada. As empresas que nos assistiram entenderam a importância dos compromissos com parceiros que trabalhem com a inovação tecnológica, principalmente as indústrias de menor porte”.

Ao fim do encontro, Eduardo Jorge disse que o setor de dispositivos médicos precisa “pensar em uma estratégia de pelo menos 50 anos” para o país. Segundo ele, é fundamental recuperar as perdas na cadeia produtiva. “Para política pública vingar, é preciso interesse do governo. E como as empresas se inserem nisso? A qualidade por inovação deve ser uma cultura da empresa”, finalizou.

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