A inovação que o Brasil já realiza

Düsseldorf, Alemanha – 17 de novembro de 2016 – Vitrine com as principais novidades mundiais da área médico-hospitalar, empresas brasileiras fazem seus lançamentos na Feira MEDICA, principal evento internacional do setor de serviços e produtos médicos do mundo, aproveitando a visibilidade da maior feira mundial do setor.

Pesquisas de percepção realizadas em edições passadas da Feira MEDICA apontaram o Brasil como um global player na área de produtos e equipamentos médico-hospitalares. Isso significa que as empresas brasileiras devem ficar cada vez mais atentas à diminuição das barreiras entre os países e que, para manter-se nessa seleta lista, a inovação passou a ser ferramenta básica de diferencial competitivo duradouro.

“O Brasil vem amadurecendo e entendemos que, no presente estágio de competição e dinamismo do comércio mundial, investir em inovação já deixou de ser uma possibilidade e, cada vez mais, tona-se nossa realidade”, explica a gerente de marketing do Projeto Brazilian Health Devices, Clara Porto.

A Corcam Tecnologia, companhia que desenvolve soluções tecnológicas para monitorar a saúde humana, participou pela primeira vez da MEDICA. As expectativas eram grandes em função da feira ser realizada no hemisfério norte, com grande potencial de mercado para os produtos da família Nexcor, que conta com sistema de monitoramento autônomo e inteligente para acompanhamento da saúde do coração, capaz de detectar precocemente possíveis intercorrências cardíacas. Como novidade, a empresa apresentou o NX3L, que já obteve certificação, e dois novos produtos eHealth da Família Nexcor para monitoramento cardíaco remoto em fase final de desenvolvimento. A Família Nexcor é constituída por três produtos voltados ao monitoramento de pacientes cardíacos crônicos e cardiopatas, assim como para a finalidade de check-up. Trata-se de um line-up de tecnologia destrutiva, a qual possui SW residente capaz de efetuar, de forma autônoma, remota e automática, o ECG do usuário, através de eletrodos que capturam os sinais elétricos do coração. Algoritmos traçam o ECG a partir da interpretação dos sinais elétricos. O SW envia o ECG para um Centro de Monitoramento Nexcor, onde cardiologistas confirmam o diagnóstico e tomam ações para ajudar o usuário/paciente. A Corcam ainda não dispõe de produtos em utilização no mercado, porém recentemente iniciou sua estratégia go to market, com foco nos mercados do México, dos Estados Unidos e do Uruguai, após concluir os processos de registro e patentes junto às agências reguladoras Anvisa e FDA, e obter patente nos EUA através do USPTO. No momento, há prospects em fase de negociação nos países citados. Em 2017, está prevista a abertura de uma filial nos Estados Unidos, visando ampliar a estratégia de comercialização na América do Norte, e a empresa analisa alternativas de localização no território.

A IBF (Indústria Brasileira de Filmes), especializada em produtos de radiologia e diagnóstico por imagem, esteve em oito edições da MEDICA. Com a participação deste ano, a empresa esperava recuperar parte do mercado perdido há dois anos por causa da alta inesperada nos custos das matérias-primas. As exportações de aparelhos de raios-x representam aproximadamente 5% das exportações da IBF, que é líder em chapas e filmes gráficos no Brasil e na América Latina. A empresa está entre os quatro maiores produtores de chapas offset do mundo e exporta seus produtos para mais de 70 países, nos cinco continentes.

A HpBio, especializada em tecnologia de próteses cardíacas e cerebrais, participou pela 10ª vez da MEDICA, apostando no fechamento de algumas parcerias para o planejamento de introdução do Cateter de Monitorização de Pressão e temperatura Intracraniana no mercado europeu, que deve ocorrer em 2017, além da prospecção de novos clientes para países onde já atua e onde ainda não atua. A HpBio apresentou o Smart PIC, equipamento especialmente dedicado ao monitoramento de pressão e temperatura intracraniana. O produto é uma alternativa mais segura para a monitorização, pois não utiliza os aparelhos disponíveis no hospital, que frequentemente apresentam algum defeito devido à falta de manutenção. Com o lançamento do monitor, a HpBio passará a fornecer solução completa para a Monitorização da PIC com microssensor, muito simples de utilizar, sem a necessidade de calibração pré-implante do cateter e zeramento do monitor. Para o próximo ano, a empresa espera maior expansão do mercado com a finalização de alguns registros em países com grande potencial de consumo como Indonésia, Egito, Argentina e Rússia.

A Neoortho, especializada em produtos ortopédicos, teve sua quinta participação consecutiva na MEDICA e esperava atrair mercados do leste europeu e países emergentes nos quais possa ser considerada opção viável de custo e benefício. Neste ano, a empresa apresentou sua linha completa de produtos com ênfase no lançamento do Parafuso Pedicular Canulado – Neospine. Trata-se de um implante de coluna que integra o portfólio já existente de implantes de parafusos pediculares da Neoortho, como uma opção para casos de baixa qualidade óssea, osteoporose e/ou deformidades congênitas. As exportações variam de 5% a 10% do faturamento anual da companhia. O ano de 2016 foi de boa expansão para a empresa – a influência do dólar auxiliou a flexibilização de preços e condições comerciais, com isso a Neoortho pôde ser mais atrativa aos mercados internacionais. Como meta para 2017, ela visa à consolidação no mercado latino-americano, atuando em todos os países da região.

A Traumec possui amplo portfólio de produtos voltados para cirurgia crânio-maxilofacial, neurocirurgia e ortopedia. Neste ano, participou pela quinta vez da MEDICA e levou o que há de melhor em soluções para cirurgia maxilofacial e neurocirurgia, esperando encontrar muitos visitantes e bons contatos para realizar seu trabalho de prospecção e abertura de novos mercados. O destaque da Traumec ficou a cargo do NeuroEndoview Plus, instrumento (cânula) para acesso a lesões profundas do cérebro. Suas principais vantagens estão em iniciar a dilatação do cérebro por meio de um conjunto de dilatadores que proporcionará introdução menos agressiva do NeuroEndoview aos tecidos cerebrais, trazer mais agilidade e campo de visão para o cirurgião, além de oferecer a opção de um guia para ótica que permite ao cirurgião observar qualquer detalhe do tecido cerebral onde ele está operando e melhorar o pós-operatório para o paciente. O NeuroEndoview trouxe um formato cilíndrico e um conjunto de dilatadores que auxiliam na criação do orifício de entrada, sendo menos traumático se comparado a outros concorrentes que oferecem o produto em forma elíptica e sem a opção de dilatar o tecido cerebral antes da introdução. Este foi um ano de expansão para as exportações da companhia devido às novas certificações internacionais, como a ISO13485, Cofepris (México) e ARCSA (Equador). A proposta para 2017 está na consolidação do mercado sul-americano, sem descuidar das oportunidades no continente africano e no asiático.

A ESTEK Tecnologia em Produtos participou pela sétima vez da MEDICA. Como expectativa, a empresa visava conquistar novos mercados, encontrar novos parceiros comerciais e fortalecer relações com os parceiros internacionais que também estarão na feira. O produto destacado durante o evento será o Facebox, um moderno equipamento para padronização de fotos da face dotado de ótica especial que evita reflexos, deformações e permite fotografia UV colorida das fluorescências (porfirina, etc.). Acompanhando a modernidade e tecnologia, o Facebox oferece adaptador para quase todos os smartphones, permitindo o uso de softwares livres. Além do Facebox, será apresentada a terceira geração do equipamento Carbtek Advanced, líder de mercado mundial em carboxiterapia. As exportações representam 10% do faturamento da empresa e, para 2017, a ESTEK pretende buscar novos mercados na União Europeia e continuar ampliando o comércio nos países árabes.

A Hospimetal, fabricante de móveis e equipamentos médico-hospitalares, participa desde 2004 da MEDICA e neste ano teve como expectativa gerar mais vendas no mercado internacional. A empresa destacou sua cama para adultos modelo HM 2002 D, que compete no mercado internacional com as grandes marcas do segmento. O produto possui cabeceira e peseira removíveis e estruturadas nas laterais em material injetado em poliuretano. Oferece controle digital com teclado de membrana blindado; dois controles digitais localizados em duas grades laterais existentes no dorso da cama, com acionamento interno e externo; um controle digital localizado na peseira com controle geral dos movimentos da cama, inclusive com travamento dos movimentos; PCR; e Trendelemburg com toque de comando único, entre outras qualidades.

A Lupetec, fabricante de equipamentos para laboratório, participa desde 2014 da MEDICA. Neste ano, a empresa almejava conquistar mais distribuidores na Europa. As exportações significam 15% do seu faturamento atual. A penúltima edição da feira superou as expectativas da empresa, com aumento de 100% nas vendas para o mercado externo.

Para o Grupo Medical, essa foi a quarta participação do no evento. A empresa, especializada em soluções hospitalares, pretendia desenvolver novos contatos internacionais durante a MEDICA. Como novidade, ela apresentou o Kit de Gastropexia, composto por sonda de gastrostomia percutânea GMI indicada para pacientes submetidos a gastrostomia temporária ou permanente. Enquanto o paciente apresenta incapacidade de alimentação orofaríngea, o dispositivo proporciona acesso gástrico aos alimentos e medicamentos. Aspectos como a fixação anatômica e a biocompatibilidade do silicone grau médico permitem conforto, segurança e melhoram a qualidade de vida do paciente. Com foco no mercado internacional, o Grupo planeja estar com a certificação CE e expandir sua participação no exterior.

Empresas brasileiras fora do pavilhão

Três empresas brasileiras já alcançaram voos mais altos e, apesar de não fazerem mais parte do pavilhão brasileiro, integram a comitiva do país na MEDICA. São elas a Carci, fabricante de produtos e soluções para fisioterapia que completou 50 anos em 2016; a Magnamed, referência na produção de ventiladores pulmonares de transporte; e a Fanem, fabricante de produtos para neonatologia com consistente atividade internacional, vendendo para mais de 100 países em todos os continentes e levando à Alemanha produtos consagrados como a Duetto® 2386, primeiro equipamento brasileiro de funções híbridas para tratamento neonatal, entre outros. “As características do produto possibilitam às equipes [da área de] neonatais acesso fácil e rápido ao paciente e reduzem as situações de movimentação, melhorando as perspectivas do tratamento”, afirma Braulio Sumida, gerente de vendas da Fanem. O equipamento, que possui leito giratório e deslizante, foi desenhado de forma a minimizar os riscos de infecções e contaminações, evitar o acúmulo de sujidades e facilitar a assepsia. O showroom da empresa contou ainda com outros produtos de cuidado intensivo, fototerapias, berço hospitalar e ressuscitador infantil.

Na história da Magnamed, a inovação é uma constante. A empresa busca criar soluções no mercado de ventilação pulmonar e anestesia. Nas características de seus produtos, percebe-se que a inovação está presente em cada detalhe. A empresa é referência em ventilação pulmonar no mundo, exportando o OxyMag e o FlexiMag Plus para mais de 40 países. Um fato curioso é que o OxyMag começou a ser exportado antes mesmo de ser comercializado no Brasil, tal é a aceitação do produto no exterior. Hoje os carros-chefes da empresa são o OxyMag, ventilador de transporte, e o FlexiMag Plus, ventilador estacionário de terapia intensiva. O OxyMag, usado no mundo todo, é uma grande inovação no segmento de ventilação pulmonar, pois apresenta interface intuitiva amigável, que facilita a rápida ação durante emergências. A empresa foi campeã do Prêmio Inova Saúde, da ABIMO, em 2013. “A inovação é a arma para vencer qualquer obstáculo dentro desse negócio competitivo”, diz o engenheiro Tatsuo Suzuki, sócio da empresa.

A Timpel foi a empresa campeã de 2015 do Prêmio Inova Saúde com o Timpel Enlight 1800, um equipamento que monitora à beira do leito os pulmões em ambiente hospitalar (UTI, centro cirúrgico, pronto atendimento e ambulatórios). O aparelho fornece imagens em tempo real da distribuição da ventilação e perfusão pulmonar, sendo possível identificar colapsos e hiperdistensão alveolar, assincronias de enchimento, pneumotórax, intubação seletiva, alterações de perfusão pulmonar, entre outros. O equipamento realiza a captura ultrarrápida de imagens (50 por segundo), não emite radiação, não requer uso de contraste e é operado independentemente. Seu potencial de inserção no mercado internacional é altíssimo, por ser um equipamento pioneiro e inovador, com apenas um competidor comercial, e protegido por uma ampla gama de patentes depositadas internacionalmente. A inovação que culminou no lançamento do Enlight 1800 apresenta alta relevância, grande potencial, importantes vantagens com relação ao que existe e originalidade, não somente para o mercado de saúde nacional, mas também para o mundial no que tange a maior segurança ao paciente, diagnóstico rápido da condição pulmonar, otimização da ventilação (suporte à decisão) e rápida verificação da hemodinâmica (não invasiva).

INOVAÇÃO PARA O CORAÇÃO

Diagnóstico bem-feito e socorro rápido são importantes para a saúde do coração, e a Corcam, empresa que desenvolve soluções tecnológicas para monitorar a saúde humana, inovou com o Nexcor, um sistema idealizado para levar a tecnologia existente nos hospitais e clínicas de saúde até o usuário, aproximando o paciente cardíaco do seu médico. A empresa investiu muitos recursos nos últimos anos para a proteção de sua propriedade intelectual e obtenção de licenças das agências reguladoras no Brasil e no mundo. O monitor pode identificar infartos em fase inicial e síndromes raras de arritmia através de um software que comunica esses dados, em tempo e localização reais, do paciente para a central, encarregada de passar a informação aos médicos. Foram cinco anos de pesquisas e trabalho para reunir várias tecnologias em um aparelho único no mundo. Além de mandar alerta de infarto ou arritmia, o novo monitor cardíaco detecta quedas, tem GPS para localizar um paciente que desmaiou e botão antipânico para acionar pedido de ajuda em um toque.

O primeiro stent farmacológico do Brasil foi desenvolvido pela Scitech. Essa inovação é referente a um produto implantável de alta tecnologia para tratamento de doenças coronarianas. “A Scitech foi a primeira empresa da América do Sul a desenvolver esse dispositivo, assim como stent coronário não farmacológico e acessórios para cardiologia intervencionista”, conta o gerente de projetos Luciano Curado. O primeiro stent com remédio fabricado no Brasil recebeu o nome de Inspiron e apresenta dois detalhes importantes: é feito com malha de aço hiperfina e com polímero bioabsorvível. O polímero é o material que reveste o remédio no stent, controlando sua liberação no organismo. A droga usada tem ação anti-inflamatória; sua função é evitar que o corpo tenha reação extrema e o local volte a formar placas de gordura.

INOVAÇÃO NA VEIA

É consenso que a tecnologia na área da saúde tem trazido benefícios a pacientes, técnicos, médicos especialistas e empresários. Novas soluções com base tecnológica aumentam a segurança de alguns procedimentos, e o que antes era traumático para pacientes e técnicos se transforma em solução viável e de baixo custo. Uma delas é o Venoscópio, produto 100% nacional, desenvolvido pela Duan Internacional do Brasil, uma startup do interior de São Paulo. Em 2013, ficou entre os quatro finalistas do prêmio Inova Saúde. Segundo Dr. José Humberto Moromizato, pediatra e diretor da Duan Internacional, o diferencial tecnológico do Venoscópio é a utilização de luzes LED que projetadas sobre a pele permeiam o tecido subcutâneo em até 5 mm de profundidade, destacando a veia. A tecnologia desenvolvida pela Duan Internacional permite ao profissional identificar os três principais parâmetros para uma boa punção venosa: calibre real/diâmetro da veia; trajeto/bifurcações; permeabilidade/obstruções existentes. A imagem da veia é direta e não refletida, tornando nulo o risco de erro por sua visualização ampliada. Durante a introdução da medicação endovenosa, o Venoscópio reduz os potenciais danos causados aos pacientes, já que é possível, ainda, observar se a medicação se mantém no lúmen da veia e identificar borramentos de hematomas na transfixação ocidental, evitando o agravamento. O Venoscópio dispensa o uso de garrotes e torniquetes, bem como melhora a qualidade da coleta de sangue, pois o procedimento tradicional, se realizado por mais de 90 segundos, interrompe de forma temporária o fluxo sanguíneo, alterando os parâmetros bioquímicos e hematológicos da coleta.

INOVAÇÃO EM REABILITAÇÃO

Em ano de Olimpíadas no Brasil, uma das maiores preocupações dos atletas estava relacionada às lesões, que podem comprometer seriamente o rendimento durante a competição. A tecnologia brasileira para acelerar o processo de recuperação em casos de lesões é destaque. Desenvolvido pela Ibramed, empresa brasileira fabricante de equipamentos para reabilitação e medicina estética, o Neurodyn Aussie Sport utiliza a Corrente Aussie para estimulação sensitiva e motora, sendo indicado principalmente para fortalecimento muscular, reeducação motora, redução de edema, modulação da dor, entre outros. “Consideramos a Corrente Aussie como a ‘evolução da eletroterapia’, uma vez que realiza uma contração muito mais potente, com parâmetros que respeitam a fisiologia da contração muscular. Além disso, a melhora da dor e a redução do edema proporcionados pela Corrente são fatores importantíssimos para melhora do desconforto e recuperação do atleta”, afirma Daniel Marques, fisioterapeuta da Ibramed.

 

Veja também