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Indústria da saúde defende inovação tecnológica com foco no SUS

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O complexo industrial brasileiro especializado em saúde precisa de incentivos fiscais do governo federal para se expandir e reverter um déficit comercial, avaliam empresários participantes de um seminário sobre as demandas do setor nesta sexta-feira (5) em Ribeirão Preto (SP). Com realização do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), o evento “Indústria da Saúde – Políticas Públicas de Incentivo a Inovação Tecnológica” reuniu também pesquisadores, profissionais e autoridades políticas em uma programação de palestras.

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos Médicos e Hospitalares do Estado de São Paulo (Abimo), Paulo Henrique Fraccaro, tais estímulos devem garantir que o país futuramente passe a comandar, por exemplo, o fornecimento de tecnologia para o Sistema Único de Saúde. Segundo a Abimo, 60% dos R$ 15 bilhões investidos pelo SUS em equipamentos em 2012 foram gastos com produtos estrangeiros.

O caminho, de acordo com ele, é incentivar o empresário brasileiro a inovar soluções de forma a atender um número maior de pacientes. “Ele terá que buscar um produto que possa atender uma necessidade crescente no Brasil que é uma saúde mais acessível a todos, que possa trazer uma economia ao sistema nacional de saúde”, afirmou. Objetivo que, na visão de Fraccaro, não deve ser restrito a altas tecnologias em tratamentos especializados, mas também ligado a demandas comuns de prontos socorros. “Ele tem que procurar esse nicho, que é enorme.”

Inovação tem sido palavra de ordem para Henrique Nery, diretor executivo de uma empresa especializada em equipamentos de diagnóstico por imagem para consultórios odontológicos há 23 anos no mercado. Ele reclama, no entanto, da falta de incentivos do governo. O empresário diz ter investido R$ 325 mil no protótipo de um equipamento mais moderno, que ainda aguarda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de laboratórios oficiais. “É muito estranho vermos setores como a linha branca e a automobilística com isenções e isso não acontecer com a nossa linha”, afirmou.

Ministério da Saúde
Também presente ao seminário em Ribeirão, o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha, alegou que a saúde é prioridade da política nacional e representa 35% da área de pesquisa e desenvolvimento brasileira. Parcerias com organismos como a Finep – Agência Brasileira de Inovação, segundo ele, auxiliam nesse trabalho. “O governo está se articulando não só com financiamento, mas com toda a política do poder de compra do Ministério da Saúde”, disse.