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Fabricantes tentam recuperar exportações na área de saúde

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O mercado nacional de máquinas e equipamentos voltados para o setor de saúde apresentou um crescimento de 15,4% no valor de produção no ano passado em comparação com 2011, movimentando R$ 4,79 bilhões, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV). As exportações, no entanto, não acompanharam o mesmo ritmo.

De acordo com estudo, encomendado pela Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed), entre 2007 e 2011, as exportações brasileiras na área de saúde cresceram abaixo da média anual global de 7%, girando em torno de 3%.

Além disso, em 2012, as vendas para o mercado internacional apontaram uma queda de 5,6% em relação ao ano anterior, somando US$ 775 milhões. Por outro lado, as importações cresceram 4,6% no mesmo período.

Os resultados reforçaram o saldo negativo observado na balança comercial brasileira do setor desde 2007. No ano passado, a diferença entre importações e exportações de máquinas para saúde chegou a US$ 3,73 bilhões.

“Não conseguiremos competir no exterior enquanto não consolidarmos o mercado nacional. Para isso, será necessário um plano de modernização do setor público e privado”, afirma o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), Paulo Fraccaro.

Segundo o executivo, o governo se mantém há 10 anos como o principal consumidor dos produtos nacionais. Entretanto, as compras públicas são esporádicas e os hospitais privados dão preferência aos equipamentos estrangeiros, mais modernos.

“Dessa maneira, os fabricantes brasileiros não conseguem se preparar para atender o mercado interno e, sem dinheiro para investir em novas tecnologias, apostam na produção de itens mais simples”, ressalta Fraccaro.

Para o presidente executivo da Abimed, Carlos Goulart, investir em nichos específicos de atuação pode ajudar as empresas nacionais, além de alavancar a posição que o País ocupa no ranking de principais exportadores.

Hoje, o Brasil é o 36º maior exportador na área de saúde e o 15º maior importador mundial. “Vendemos para países que ainda não têm um fornecedor definido. Por isso, devemos investir em nichos específicos, como o odontológico e o neonatal, para atender essa demanda”, explica.

De olho nessa tendência, a brasileira Fanem, fabricante de equipamentos médicos e de laboratório voltados a neonatologia, deu início ao seu projeto de exportação ainda na década de 70. Atualmente, a empresa exporta para 110 países e tem uma atuação internacional sólida.

“No primeiro trimestre, alcançamos o melhor resultado dos últimos 10 anos de trabalho no mercado estrangeiro”, ressaltou o diretor executivo da empresa, Djalma Luiz Rodrigues. As incubadoras são o carro-chefe da companhia, que acaba de vencer uma concorrência no Egito. Hoje, a América Latina representa 50% das vendas internacionais realizadas pela Fanem, seguida pelos países árabes (30%) e demais nações (20%).

Segundo Rodrigues, o mercado interno não oferece um grande movimento para o setor de saúde. “Por isso, muitas empresas investem na exportação”. Os preços mais baratos e as participações em concorrências internacionais impulsionam o sucesso da Fanem no exterior.

A Olsen, fabricante de equipamentos odontológicos e médicos, também enxerga o mercado estrangeiro como uma fonte importante de receita. Por isso, a companhia já começa a desenhar um plano, ainda tímido, de retomada das exportações. Entre 2006 e 2008, as vendas para o exterior representaram 50% do faturamento, mas a entrada dos chineses no segmento – com preços mais acessíveis – prejudicou o desempenho da Olsen.

Em 2013, as exportações devem atingir o patamar de 25%. “O nosso foco segue no mercado interno, que hoje representa 80% do nosso faturamento. No entanto, a valorização do dólar nos motivou a retomar as exportações”, explica o gerente de exportação da empresa, Luciano Rodrigues.

Atualmente, a companhia exporta para 55 países. Entre eles Rússia, Indonésia e Argélia. O executivo reforça que os preços mais baratos dos produtos brasileiros são os principais diferenciais no mercado externo.

Para Fraccaro, os fabricantes nacionais também devem se manter nesse espaço, oferecendo produtos menos tecnológicos, com preços mais acessíveis, para nações emergentes.