Saúde foi destaque em investimento privado em 2018

Segundo acompanhamento realizado pela Rede Nacional de Informações sobre o Investimento, do MDIC, setor ficou entre os que mais recebeu aportes no ano passado

Mesmo em um ano conturbado, com Copa do Mundo e eleições impactando decisões e o andamento dos negócios, a saúde foi um dos setores que contribuiu para o Brasil melhorar de uma das piores recessões econômicas já vividas. Investimentos compilados por divisão CNAE entre janeiro e setembro de 2018 revelam que o setor ficou posicionado no período como um dos 15 que mais recebeu intenção de aportes, acumulando um total de US$ 1.066 bilhão no período.

Os dados, compilados pela Rede Nacional de Informações sobre o Investimento (Renai), apontam ainda que, de 2016 para 2017, mesmo em crise, o setor apresentou um avanço de 497%, saltando de US$ 300 milhões em investimento para US$ 1,8 bi.

Coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento e Competitividade Industrial do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), a Renai é um dos instrumentos por meio dos quais o governo federal veicula dados sobre investimentos produtivos no Brasil.

Segundo o MDIC, o papel da Renai é facilitar o intercâmbio de informações relevantes para a consecução de investimentos nas Unidades Federativas. Anualmente, o órgão prepara um Relatório de Anúncios de Investimentos no Brasil, feito com base no acompanhamento dos investimentos produtivos anunciados por empresas públicas e privadas divulgadas na mídia.

Aposta em expansão e tecnologia

Em uma prévia, o MDIC revela que o setor de saúde e serviços sociais obteve, até setembro de 2018, um total de US$ 1.066 bilhão captados em investimentos. A origem, na maioria, é proveniente do Brasil. Alguns aportes vieram dos Estados Unidos e Cingapura.

Já o destino dos investimentos aponta para expansão – seja para iniciativas de estudos ou mesmo de instalações físicas – e implantação de novas tecnologias. Conforme o levantamento da Renai, a Rede D’Or São Luiz está no topo da lista com aportes de US$ 735 milhões, voltados para investimento destinado a diversas áreas, sobretudo à oncologia.

A Neodent, também citada no levantamento, recebeu mais de US$ 43 milhões que serão direcionados para ampliação da fábrica de implantes dentários em Curitiba (PR) e para construção de outra planta na cidade. De acordo com Matthias Schupp, CEO da Neodent e EVP da Straumann LATAM, a empresa recebeu aportes de capital da controladora estrangeira. Parte desses aportes foram voltados à aquisição e regularização de um terreno para a construção de uma planta, iniciada em novembro de 2018.

“Com a construção da nova fábrica, aumentaremos nossa capacidade de produção que suportará a incorporação de novos produtos e serviços ao portfólio da companhia. Além disso, a fábrica irá movimentar a economia da capital paranaense, com a criação de mais vagas de trabalho na região”, afirma.

O Hospital Santa Catarina, pertencente à Associação Congregação de Santa Catarina, realizou diferentes aportes em 2018. Os investimentos, que totalizam R$ 16 milhões, foram utilizados para modernizar estruturas e também engloba a construção de um centro cirúrgico especializado em procedimentos minimamente invasivos e a aquisição do robô cirúrgico Vinci Xi, o mais moderno na área de cirurgia robótica.

Tecnologia para modernização de equipamentos também está no radar das companhias de saúde. A Dasa, líder brasileira em medicina diagnóstica e maior empresa do setor na AL, investiu mais de R$ 15 milhões em tecnologia para a digitalização da patologia analisada pela empresa em mais de 30 laboratórios que a integram em todo o País. A estimativa é ter mais de 600 mil exames de patologia digitalizados ao ano. A telepatologia permitirá estreitar a relação entre patologistas, cirurgiões e clínicos, aumentando a agilidade e precisão no diagnóstico e planejamento do tratamento de cada paciente, explica Gustavo Campana, diretor médico da Dasa.

Para a indústria e todo o ecossistema de saúde, o cenário que se desenha é bom e acompanha a boa perspectiva do mercado, que já vislumbra um processo de recuperação, mesmo que lenta, da atividade econômica do País.

 

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